O presidente da Câmara de Vila Real garantiu esta segunda-feira que o aeródromo municipal está preparado para receber a ligação aérea que vai ligar Trás-os-Montes a Portimão e lamentou o tempo que está a demorar para o avião descolar.

Em novembro de 2012 o Governo suspendeu os voos entre Bragança/ Vila Real e Lisboa. Entretanto, na sexta-feira foi lançado o concurso público para a adjudicação, em regime de concessão, da ligação aérea que, agora, vai ligar Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão, por um período de três anos.

«Já vem tarde e a más horas mas vale mais tarde do que nunca», afirmou o socialista Rui Santos à agência Lusa.


O autarca que sempre se opôs à suspensão da carreira aérea referiu que, em Vila Real, está tudo pronto para receber esta ligação, referindo que não foi necessário proceder a qualquer intervenção no aeródromo municipal, onde apenas se está a reforçar a formação para os bombeiros das duas corporações da cidade, que terão que marcar presença sempre que o avião aterre ou descole.

Será ainda necessária uma nova viatura de combate a incêndios para o aeródromo, para o que, segundo o autarca, poderá ser adaptado um dos veículos já existentes.

«Lamentamos profundamente que a ligação não vá direta à Portela e vá para Cascais. Provavelmente essa opção tem a ver com a tentativa de diminuir custos mas nós estamos convencidos de que ao diminuírem custos vão diminuir competitividade da ligação aérea», criticou ainda Rui Santos.


O autarca continua a defender «a importância» da carreia aérea para a competitividade da economia local.

Em dezembro de 2014, o Conselho de Ministros aprovou uma despesa máxima de 7,8 milhões de euros para a concessão da rota durante 36 meses após a celebração do contrato.

O deputado do PSD eleito por Vila Real, Luís Ramos, que tem acompanhado este processo, disse hoje à agência Lusa que, se «tudo correr bem, a ligação poderá ser retomada a 01 de julho».

«O lançamento do concurso público é mais uma etapa num processo que tem sido relativamente longo e difícil. Algumas dificuldades, nomeadamente na clarificação do objetivo e do âmbito deste concurso com a Comissão Europeia, provocaram mais algum atraso, mas neste momento estão removidas todas as dificuldades», salientou o parlamentar.


Luís Ramos referiu há «indícios de que algumas empresas estarão interessadas nesta operação» e salientou que o avião, para além de contribuir para uma melhoria das acessibilidades no interior norte, pode, também, ajudar a «articular o turismo entre o Douro e o Algarve».

O deputado disse ainda que está a trabalhar no sentido de que os funcionários públicos possam utilizar os transportes aéreos nas ligações internas no continente, estando atualmente impedidos de o fazer.

«É também uma forma de criar mais mercado para a própria ligação. É muito mais barato e fácil para os funcionários de Vila Real ou Bragança poderem usar este transporte em alternativa ao transporte em viatura, que tem custos acrescidos», salientou.