O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse esta quinta-feira que o Governo «provavelmente» não recorreria à requisição civil na TAP se não estivesse em causa a época do Natal.

«A nossa atitude muito provavelmente seria diferente se não estivesse em causa o Natal e aquilo que representa para as famílias de todos os portugueses», afirmou o ministro, em declarações aos jornalistas à margem do lançamento dos programas operacionais do novo ciclo de fundos comunitários.

«O meu desejo é que esta requisição não fosse necessária (...) nós marcámos esta requisição civil por estarmos no período que estamos. É Natal. E ninguém compreenderia que o governo não tomasse a atitude que tomou estando em causa as reuniões familiares», reforçou.

Já esta quinta-feira à noite, em entrevista à TVI24, o secretário de Estado dos Transportes tinha afirmado que o que estava em causa com a requisição era a mobilidade dos portugueses na época natalícia. Sérgio Monteiro disse não querer acreditar que os trabalhadores não cumpram a requisição, mas que se isso acontecer «vai haver consequências».

O ministro garantiu que «a requisição não é contra ninguém» e destacou: «É a favor do interesse nacional, é a favor da comunidade emigrante, das pessoas que vivem nos Açores e na Madeira que precisam da TAP para se poderem reunir com as famílias nesta altura do ano. É também a favor do turismo, que precisa desta semana para acabar bem o ano de 2014».

Pires de Lima disse, por outro lado, que os sindicatos ainda vão a tempo de incluir algumas das suas preocupações no caderno de encargos da privatização da TAP.

«Gostaria que os sindicatos aproveitassem a oportunidade que o ministério da Economia lhes dá, que eu lhes dou pessoalmente de poderem influenciar o caderno de encargos da privatização da TAP que há-de ser apresentado em Conselho de Ministros ao longo do mês de janeiro. Ainda vamos a tempo de incluir nesse caderno de encargos algumas das preocupações que os sindicatos me manifestaram na reunião que tivemos na semana passada», apelou.

Sobre os potenciais candidatos à privatização da transportadora aérea nacional, Pires de Lima escusou-se a «abrir o jogo» por ainda não existirem propostas firmes, apesar de reafirmar que há «manifestações de interesse» de mais de três interessados.

O governante sublinhou que «respeita as pessoas que estão contra» a privatização da TAP, mas atacou a «hipocrisia política» do PS.

«Eu respeito a opinião do Bloco de Esquerda, eu respeito a opinião do Partido Comunista, já tenho muito mais dificuldade em respeitar a opinião de partidos políticos, como o Partido Socialista que tiveram responsabilidades políticas, que lançaram o processo de privatização (...) que aprovaram requisições civis no passado e que agora exibem esta falta de sentido de estado com posições de hipocrisia política que acho que nenhum português entende», criticou.