A companhia aérea Alitalia deixará de operar na Venezuela a partir de 01 de junho, avança hoje a imprensa venezuelana, citando informação dada pelos operadores telefónicos aos clientes.

Todos os voos estão cancelados«, diz o diário El Mundo, precisando que «os clientes que compraram bilhetes com datas posteriores a 01 de junho receberão o reembolso da linha aérea».

A 02 de maio, a transportadora italiana anunciou que iria reduzir de cinco para dois os voos semanais entre Caracas e Roma, devido a atrasos do Estado venezuelano no pagamento de dívidas acumuladas desde o início de 2013.

A companhia aérea do Panamá Copa Airlines anunciou, por seu turno, no passado dia 12, que vai reduzir 40% dos lugares disponíveis nos voos para a Venezuela no segundo trimestre do ano, a fim de «proteger-se da acumulação de bolívares devido ao controlo cambial» vigente no país, indicou o diretor da companhia área, Pedro Heilbron.

A 29 de abril, a Associação Internacional dos Transportadores Aéreos (IATA, na sigla em inglês) exortou o Governo da Venezuela a pagar os quase 4 mil milhões de dólares que deve às companhias aéreas, salientando que «a situação é insustentável».

Em causa está o repatriamento para os países de origem dos lucros das companhias fruto da venda de bilhetes na Venezuela, que tem sido dificultada pelas leis cambiais do país e pelo «bloqueio do Governo venezuelano».

Há mais de um mês que o Governo anunciou que prepara um calendário para pagar as dívidas de 3,8 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) que tem para com as companhias aéreas internacionais, por repatriação de capitais correspondentes às vendas de bilhetes.

O anúncio foi feito pelo ministro de Transporte Marítimo e Aéreo venezuelano, Hebert Garcia Plaza, à saída de uma reunião de trabalho com representantes das transportadoras, que sublinhou que os pagamentos seriam efetuados ao valor do câmbio vigente aquando das vendas e que, em 2014, se aplicará o valor referencial correspondente aos leilões do Sistema Complementar de Administração de Divisas (Sicad 1).

Na Venezuela está em vigor, desde 2003, um apertado sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga as companhias aéreas a terem autorização para poderem repatriar os capitais gerados pelas operações.

Segundo a Associação de Linhas Aéreas da Venezuela 11 das 26 companhias que voam para Caracas reduziram, desde janeiro, a oferta de lugares, nalguns casos até quase aos 80%, devido à impossibilidade de repatriar os capitais correspondentes às vendas.

Perante estas medidas, os utilizadores queixam-se de dificuldades em conseguir fazer reservas de viagens para o estrangeiro e que as empresas aéreas triplicaram os preços dos bilhetes, nalguns casos para valores acima de 3.000 euros, para destinos europeus.

Para a IATA, a situação é dificultada pela volatilidade do próprio Governo que, em dezembro, aumentou as taxas em 70% «sem qualquer consulta aos parceiros nem melhorias no serviço prestado» e implementou taxas especiais sobre as companhias para financiar atividades «que nada têm a ver com o transporte aéreo».

A consequência principal é a degradação do serviço aos passageiros, conclui a IATA, que lembra que no ano passado «11 das 24 companhias que operam de e para a Venezuela reduziram as operações entre 155 e 78%, e uma [a Air Canada] parou mesmo de voar para o país».