O ministro da Presidência considerou que as notícias desta quinta-feira não trazem «nada de novo» sobre uma eventual lista VIP de contribuintes e que se está a «tentar alimentar um caso que já foi explicado».

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes sustentou que nem a notícia da revista Visão nem a do Diário de Notícias atestam a existência de uma lista VIP», declarando: «O que há é declarações, mais uma vez, do presidente do sindicato [dos Trabalhadores dos Impostos, Paulo Ralha] dizendo que acha que há uma lista».

Em resposta à comunicação social, o ministro da Presidência disse ainda que no relatório de auditoria do fisco reproduzido pela revista Visão «não está lá nome nenhum» e «é exatamente o mesmo que o senhor diretor geral [da Autoridade Tributária, António Brigas Afonso] e o senhor subdiretor geral [da Justiça Tributária e Aduaneira, José Maria Pires] tinham referido na semana passada na Comissão Parlamentar na Assembleia da República».

«Portanto, com toda a franqueza, não me pareceu que houvesse rigorosamente nada de novo nessa notícia, a não ser tentar alimentar um caso que já foi explicado. E antecipar novas declarações da parte do presidente do sindicato», concluiu.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares começou por referir que não leu a notícia da Visão «de alto abaixo», mas leu «o suficiente» para verificar que quer essa notícia quer a do Diário de Notícias «não dizem que há lista nenhuma».

«Mais uma vez, temos declarações do presidente do sindicato dizendo que acha que os mecanismos de alerta que estavam ser testados incidiam sobre quatro pessoas», prosseguiu Marques Guedes.

Segundo Paulo Ralha, a chamada lista VIP seria composta pelos nomes do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio.

Comentando esta versão do presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, o ministro da Presidência declarou: «Não sei [se os mecanismos de alerta] se incidiam sobre essas pessoas, se incidiam sobre mais pessoas, se incidiam sobre quem. Já foi explicado pelo senhor diretor geral demissionário e pelo senhor subdiretor geral que apenas autorizaram a realização de testes para alertas relativamente a eventuais procedimentos abusivos de desrespeito pelo sigilo fiscal».

Marques Guedes referiu que «estão a correr neste momento inquéritos determinados pelo Governo, por um lado, pela Comissão Nacional de Proteção de Dados, por outro», e recomendou: «Aguardemos com tranquilidade, em vez de, de cada vez que o senhor presidente do sindicato faz mais umas declarações a um jornal, irmos a correr atrás dessas declarações».