A comissão de inquérito parlamentar ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo tem todo o interesse em ouvir todas as pessoas que constam da agenda e aquelas que se inscreverem. Isso mesmo quis frisar, esta quarta-feira, o presidente da comissão, Fernando Negrão, perante os deputados que a compõem.

«Esta comissão de inquérito não prescindirá de ouvir ninguém»

Repetiu-o por duas vezes, antes de arrancar a 31ª audição, da responsável da KPMG, Inês Viegas. Um esclarecimento que surge depois de o jornal «Expresso» ter noticiado que o PSD quer dispensar a audição de Miguel Frasquilho, o social-democrata que é o atual presidente da AICEP, e que o diretor/coordenador da ES Research.

O semanário, na sua edição online, cita o dirigente da bancada social-democrata e coordenador do PSD na comissão de inquérito.  «Não achamos que seja imprescindível» terão sido as palavras de Carlos Abreu Amorim.

O PSD esclareceu, entretanto, os jornalistas que não irá dispensar ninguém que tenha chamado. Miguel Frasquilho não constava dos pedidos de audição do PSD e sim de outros partidos. De qualquer modo, como têm feito até aqui, os sociais-democratas garantem que não irão chumbar qualquer audição e, muito menos, deixar de receber um militante do seu partido.  

Até hoje, foram ouvidas 30 pessoas, com várias versões diferentes sobre o colapso do GES, que levou por arrasto o BES.

A comissão arrancou com 113 audições na agenda. Algumas foram canceladas, mas outras tantas acrescentadas. Por agora, mantém-se a intenção de ouvir mais de uma centena de protagonistas que poderão ajudar a perceber o que aconteceu com o BES.

O deputado e presidente da comissão lembrou, contudo, que os trabalhos têm «um prazo» e «a determinada altura» e quando estiver traçado «um cenário dos factos o mais aproximado possível tal qual eles terão acontecido» pode suceder que algumas audições não se concretizem.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro passado e tem um prazo total de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».