Luís Máximo dos Santos é o atual presidente do Banco Espírito Santo, o banco mau para onde foram atirados, com a resolução do Banco de Portugal, os ativos tóxicos do velho BES. A entidade manteve o mesmo nome e, para todos os efeitos, continua a existir como banco, só que não aceita depósitos nem faz empréstimos. A equipa é constituída por 17 pessoas.

Na sua audição, levantou o véu ao balanço da entidade, que será conhecido nos próximos dias. E fez várias revelações.

O resumo da audição em 8 pontos:

1 - Antecipou as contas do BES, que constarão no balanço por divulgar. «O capital próprio é claramente negativo»

2 - Encontrou indícios de atos lesivos (suscetíveis de crime) no banco, reportou-os e continuará a fazê-lo se mais descobrir, mas não quis especificar o quê e quem os praticou, escudando-se no segredo de justiça 

3 - A família Espírito Santo e os ex-administradores têm oito milhões de euros congelados no BES, que não transitaram para o Novo Banco

4 - Considera «penoso» aquilo por que os clientes do BES estão a passar, tendo já recebido associações. «A perceção que tenho é que estão na expetativa de ter algum conforto relativo a essa situação»

5 - Explicou que os credores comuns serão os primeiros a ser reembolsados,  mas admitiu que a entidade poderá não ter capacidade financeira para pagar indemnizações que resultem de processos judiciais, caso o BES seja condenado

6 - Apontou várias críticas, do ponto de vista jurídico, à resolução aplicada pelo Banco de Portugal, considerando que a lei tem «lacunas importantes»

7 - Considera que, no final de contas,  «o maior lesado disto tudo foi o BES», porque era uma instituição com história e prestígio que desapareceu 

8 - Não exclui a possibilidade de processar o BESA, pela assembleia geral em que o BES se viu impedido de participar, vendo a sua participação acionista ser arruinada. Em cima da mesa, dependendo das conclusões que se vierem a tirar sobre as investigações em curso, também poderá estar um processo contra a retirada da garantia de Angola, que cobria os créditos emprestados pelo BES ao BESA, e que fez com que se tivesse de injetar muito mais dinheiro do que era suposto no Novo Banco