«Salgado considerava Álvaro Sobrinho um grande banqueiro» e o presidente da ESCOM, Helder Bataglia, que foi igualmente administrador executivo do BESA e até sócio do banco angolano, também tece elogios a Sobrinho, que foi afastado da liderança em 2012.

«Não conheço nenhuma história assim no mundo, desta dimensão», disse esta terça-feira, aos deputados, na comissão de inquérito ao BES/GES, referindo-se ao grande contributo que o BESA deu para os resultados do BES. «Era um case study em África», reforçou, em resposta à deputada Clara Marques Mendes (PSD).

No entanto, admitiu, houve divergências a partir de 2012. O BESA atravessou grandes dificuldades na altura. Foi nesse ano que o ex-presidente do BESA foi afastado. Mas, até 2012, Bataglia não se recorda de nenhuma ata em que o conselho de administração, liderado por Sobrinho, não tivesse sido louvado. 

Foi, de resto, Álvaro Sobrinho quem liderou o banco durante o período em que o BESA contraiu os créditos de 5,7 mil milhões de dólares (mais de 4,5 mil milhões de euros), concedidos pelo BES. Desse total, 3,3 mil milhões estavam cobertos pela garantia do Estado angolano. Dinheiro que devia ter entrado no capital do Novo Banco, mas desapareceu com a retirada dessa garantia.

O  ex-presidente do BESA foi escolhido precisamente por Ricardo Salgado, em 2001,  para liderar o BESA. Mas Salgado não deixou de apontar o dedo ao seu eleito, dando conta, na sua audição, a 9 de dezembro de 2014, que recebeu «informações estranhas» sobre a equipa liderada por Sobrinho, responsabilizando-o pela «situação pavorosa» em que o BESA se encontrava.

Como se sabe agora, o endividamento era grande e a base de depósitos fraca. Hoje, Hélder Bataglia recorda que Ricardo Salgado, em quem «confiava e confia», considerava Sobrinho «um grande banqueiro». 

Na sua audição, o presidente da ESCOM deu ainda conta, aos deputados, que os 27 milhões de prémios recebidos por administradores desta empresa do Grupo Espírito Santo que se dedica a negócios imobiliários e à extração de diamantes em Angola, bem como por membros do conselho superior do Grupo Espírito Santo, foram mesmo «bónus» e garantiu que chegará às mãos dos deputados uma «lista exaustiva» sobre quem recebeu, quanto e o quê. 

Adiantou, também, que o BES financiou «em 300 e muitos milhões de dólares» a ESCOM