Já se atrasou a pagar as suas faturas mensais? Esquece-se de pagar a contas da luz, gás, água ou telecomunicações? Acontece a qualquer um. Mas tenha cuidado! Há penalizações.

E, apesar dos alertas das empresas, muitas vezes quando nos aprecemos já está: uma taxa pelo atraso ou um serviço desativado.

Nas empresas de telecomunicações a cobrança de uma taxa pelo atraso no pagamento é recente e variável, pelo menos no caso das três maiores operadoras.

A MEO refere que os contratos de adesão a serviços de comunicações eletrónicas "preveem, expressamente, a possibilidade de a MEO cobrar uma penalização até 5 euros, em caso de atraso no pagamento de faturas de serviços pós-pagos (fixo e móvel), do segmento residencial e empresarial”.

Mas à TVI, fonte oficial da operadora assegurou que “alerta cada cliente para os eventuais custos decorrentes do atraso no pagamento, através do envio de 2 SMS’s (o primeiro enviado 1 dia antes da data limite de pagamento e o segundo enviado 3 dias após tal data)".

Se é verdade que não podemos negar que somos avisados, também é verdade que muitas vezes não estamos recetivos a tanta informação que nos chega via mensagem por telemóvel sem que a tenhamos solicitado.

Pois é, mas para os mais distraídos, nestes casos, mais vale prevenir que remediar.

Na Vodafone o valor da taxa é mais baixo mas começa a contar com apenas um dia de atraso. A operadora britânica cobra uma taxa de 1,5 euros (isenta de IVA) quer se atrase 24 horas ou cinco dias mas atenção: passados dois meses são três euros. E assim sucessivamente.

Fonte oficial da empresa diz a aplicação de uma taxa pelo atraso no pagamento começou em fevereiro deste ano mas frisa que “esta cobrança foi previamente comunicada a todos os clientes através de uma mensagem na fatura que antecedeu o início da cobrança. A taxa é aplicada a todos os serviços – fixo e móvel – para valores superiores a 5 euros”.

De fora, entre as três maiores, fica mesmo a NOS que refere que não faz qualquer cobrança aos seus clientes por atrasos no pagamento da fatura. “Não cobramos”, disse fonte oficial sem adiantar se podem seguir o exemplo da concorrência em breve.

Mas não é só nas telecomunicações que pode incorrer em custos se se esquecer de pagar a fatura.

Nos casos da EDP, Epal e Galp – optamos por estes exemplos por serem as maiores prestadoras dos serviços em causa - também há referência, nos respetivos sites, ao que pode acontecer quando o cliente entra em incumprimento. Sendo que a situação mais radical é o corte na prestação dos serviços. Que não só causa transtorno, como não é nada barato.

A EDP diz que “se ainda não passaram 5 dias - sobre a data limite de pagamento indicada na sua fatura - poderá proceder ao seu pagamento em qualquer caixa multibanco ou agente".

Passado esse prazo, “contate através da linha de atendimento comercial, 808 505 505 (custo de chamada local) para que lhe atribuam uma nova referência MB e possa pagar nesse dia”, acrescenta.

E a energética reforça que deve ter "presente que, passado o prazo limite de pagamento, está sujeito à interrupção do fornecimento de energia elétrica”.

É que, de acordo com a regulamentação em vigor, o fornecimento de energia elétrica pode ser interrompido pelo distribuidor no caso de não pagamento, “no prazo estipulado”, dos montantes devidos. Por isso, tente perceber de que prazo estamos a falar para não ter surpresas desagradáveis.

“A interrupção e eventual restabelecimento do fornecimento implicam custos e obrigações adicionais por parte dos clientes”, garante a EDP mas é omissa sobre taxa a cobrar antes de cortar o serviço.

A empresa que fornece água no maior distrito do país, Lisboa, também tem um aviso no site mas não fala de taxas por atraso ou incumprimento. Segundo a EPAL, “uma vez ultrapassado o prazo de pagamento da conta da água e após o envio de aviso específico, a EPAL terá de considerar a suspensão do fornecimento até à regularização da situação”.

Neste caso, a liquidação da conta poderá ser efetuada através de novas referências multibanco.

A Galp também não mencionada a cobrança de qualquer taxa mas deixa o alerta sobre faturas em atraso.

Se as têm, "para regularizar a situação poderá efetuar o pagamento através de envio de cheque cruzado ou vale postal (efetuado nos balcões CTT), emitido à ordem da Petrogal, S.A. para o Apartado 4338 – 1501-001 Lisboa. No verso, deverá identificar o número de fornecimento (canto superior esquerdo da sua fatura) e contacto telefónico. É obrigatório que o meio de pagamento tenha a indicação da referência de cobrança, sob pena de não ser possível darmos seguimento à regularização do pagamento recebido”.

Obviamente que pode evitar qualquer transtorno, ou custo extra, se fizer a opção pela transferência por débito direto mas nem todas as pessoas gostam da modalidade e cada um é que sabe a melhor forma de gerir as suas finanças caseiras.

À TVI as operadoras de telecomunicações não quiseram fazer qualquer comentário sobre a razão que determinou a opção pela cobrança desta taxa.

Também não foi possível saber quantos clientes, cada uma destas empresas, tem em incumprimento. No entanto, a TVI apurou que em alguns casos, os atrasos são superiores a dois e três meses, o que deixa parecer que algumas clientes acabam por fazer a gestão das suas finanças através das faturas. Se este mês estou mais apertado em termos monetários porque não esperar para o próximo, em que prevejo um dinheiro extra, embora possa pagar mais, pensarão alguns.

Se assim é, pelo menos fique ciente que, no caso de algumas operadoras de telecomunicações esta opção não será a custo zero.