A CGTP considerou hoje que o Governo tem de resistir às pressões da Comissão Europeia para aplicar medidas de austeridade para controlar o défice e defendeu a necessidade de se criar um movimento de contestação nacional à ingerência europeia.

"A Comissão Europeia (CE) persiste numa linha errada, que pressupõe a retirada de direitos às pessoas, por isso, é necessário que o Governo resista a esta pressão e é necessário criar uma contestação nacional a esta ingerência, para mostrar que o caminho não pode continuar a ser este", disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, aos jornalistas.

Para o sindicalista, os problemas levantados pela CE ao esboço de Orçamento do Estado apresentado pelo Governo português, "não têm tanto a ver com o cumprimento das metas orçamentais”.

“O grande problema é que as mudanças possam continuar em Portugal", acrescentou.

"Por isso, o Governo português deve ter uma voz forte, de confronto, para conseguir pôr em prática novas políticas mais favoráveis aos trabalhadores e às suas famílias", disse Arménio Carlos em conferência de imprensa, no final de uma reunião do Conselho Nacional da central.

Arménio Carlos manifestou a convicção de que o Governo socialista "não se deixará envolver neste processo".
Mas, caso o Governo ceda, irá pôr em causa as promessas do primeiro-ministro, de que o Orçamento do Estado para 2016 respeitará os compromissos assumidos com os outros partidos de esquerda e com o povo português, disse o sindicalista.

Na conferência de imprensa, Arménio Carlos divulgou uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional, onde são reivindicadas melhores condições de vida e de trabalho, o combate à ingerência europeia e novas políticas para o país.

No documento, a CGTP defende a reposição dos rendimentos dos portugueses, uma nova política fiscal, uma mais justa distribuição da riqueza e a renegociação da dívida pública.

"Para a CGTP-IN é possível e incontornável a renegociação da dívida e o confronto com as regras do Tratado Orçamental e do Pacto de Estabilidade, instrumentos que hipotecam o desenvolvimento nacional e põem em causa a soberania do país", diz a resolução.

Arménio Carlos considerou que "a dívida é impagável" e "vai continuar a limitar o desenvolvimento do país".