O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, realçou esta quarta-feira a necessidade de os trabalhadores portugueses defenderem «as funções sociais do Estado», como o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a escola pública.

Para Arménio Carlos, «as funções sociais do Estado têm futuro e devem dar resposta a todos» os que delas necessitam.

«O que nós lutámos para aqui chegar. E valeu a pena», disse, ao salientar que importa preservar «as conquistas do 25 de Abril», cujo 40º aniversário é comemorado este ano, com destaque para o SNS, criado há 35 anos.

O líder da CGTP criticou «aqueles que continuam a defender o Estado mínimo para as populações», enquanto preferem «o Estado máximo para o negócio».

Arménio Carlos intervinha no encerramento do debate «Afirmar Abril e os 35 anos do SNS», promovido pela CGTP, no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, no dia em que se assinalam 38 anos da promulgação da Constituição da República.

«Todos dizem que defendem o SNS», incluindo alguns dos seus adversários, «porque sabem que não têm condições para dizerem o contrário», referiu.

No entanto, «há uma diferença entre o que se diz e o que se faz», adiantou, numa alusão ao atual Governo, depois de vários oradores terem responsabilizado «sucessivos governos» pela alegada destruição do SNS.

Segundo Arménio Carlos, o Serviço Nacional de Saúde «é uma matéria mais suscetível à mobilização dos cidadãos», o que explica uma certa compreensão da generalidade dos portugueses relativamente à última greve dos médicos, promovida pelos sindicatos do setor, com apoio de outras organizações da classe.

O secretário-geral da CGTP esclareceu que a central sindical não questiona «o direito de escolha» dos cidadãos, entre os hospitais públicos e os privados.

«Nós não pomos em causa que cada cidadão vá ao serviço privado, mas não pode ser é à custa da degradação do serviço público», acrescentou.

Arménio Carlos rejeitou a atual «política de austeridade permanente», advertindo que «o que está aqui em marcha não é só um modelo que acelera as desigualdades e as injustiças, mas que põe em causa o Estado Social e o próprio regime», transformando Portugal «num país que fica colonizado dentro da própria Europa».

«A renegociação da dívida é uma questão fundamental», defendeu.

Um dos oradores da manhã, António Arnaut, antigo ministro dos Assuntos Sociais e principal impulsionador do SNS, há 35 anos, realçou que «os benefícios trazidos pelo SNS, sobretudo no plano da dignidade humana, da justiça e da coesão sociais, são tão evidentes que o próprio Governo é obrigado a reconhecê-los».

«É um imperativo categórico de consciência cívica, no ano em que celebramos o 40º aniversário da Revolução dos Cravos, que a esquerda e todos os democratas ponham de lado novos e velhos preconceitos ou divergências», disse.

Insistindo na unidade das forças políticas de esquerda, que tem vindo a preconizar, o socialista António Arnaut propôs como «plataforma de entendimento» a Constituição, para «resgatar a esperança, travar o poder destruidor do capital extorsionário, salvar o Estado Social e as conquistas de Abril, de entre as quais avulta o SNS».