A presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL) garantiu, esta sexta-feira, que o investimento na expansão  daquela estrutura será totalmente privado, através de um concurso público internacional. Existe uma pequena lista de empresas interessada, mas não é certo que esse interesse passe da teoria à práticas.

A expansão do Porto de Lisboa «está totalmente dependente de investimento privado». «Parece que são empresas grandes, credíveis, de grandes operadores mundiais, que pela insistência com que se manifestam, aparentemente terão algum interesse», mas «quando fecharmos o concurso, é perfeitamente possível ficar deserto. Se ficar deserto, é porque o projeto no mercado não passou o teste do algodão, teremos que encontrar outras soluções, desistir é que nunca»


Marina Ferreira explicou que a candidatura a concurso público internacional para investimento no Porto de Lisboa «depende da dimensão da empresa», sendo que «há empresas que tem dimensão e capacidade para este tipo de investimento, a regra é haver consórcios de empresas».

Em declarações à Lusa após a conferência «Perspetivas para o desenvolvimento portuário na região de Lisboa a Sines», organizada pela secção de transportes da Sociedade de Geografia de Lisboa, a responsável da APL reforçou que a expansão do Porto «é um projeto de desenvolvimento integrado para as áreas portuárias no estuário do Tejo e para a promoção da intermodalidade na ligação das redes transeuropeias» de transportes.

O Porto de Lisboa prevê “a existência de um novo terminal ou o crescimento significativo dos existentes”, podendo assim aumentar a capacidade de movimentação de carga contentorizada e corresponder ao crescimento da frota mundial de porta-contentores e às novas tipologias de navios.

O projeto vai ser desenvolvido nas zonas do Barreiro, Seixal e no acesso fluvial a Alhandra, influenciando assim o contexto macroeconómico da região de Lisboa, com o reforço das ligações rodoviárias e ferroviárias, do transporte fluvial de passageiros e contentores, e a construção de um novo terminal de contentores, previsto para o Barreiro.

Para além do investimento privado, a expansão do Porto de Lisboa poderá ainda contar com o acesso aos fundos comunitários, que «para este projeto não são do tipo tradicional, não são subsídios, tratando-se de um investimento em portos, em áreas logísticas, em intermodalidade, será a perspetiva de alguma bonificação de juros por forma a diminuir o risco do investimento em Portugal», justificou Marina Ferreira.

Questionada sobre o orçamento previsto para o projeto, a presidente da APL esclareceu que «é difícil fazer uma previsão de custos», porque ainda está em fase de estudos, não existindo ainda estudos de engenharia nem estudos de impacto ambiental.

«Há muitos anos que não há investimento portuário em Lisboa, se excluirmos a área dos cruzeiros, em que se tem feito investimento. Quer na área de transporte de passageiros, quer na área das diferentes componentes de carga, praticamente há 15 ou 20 anos que não há investimento e esta paralisação é dramática», referiu.

Marina Ferreira considerou ainda que com o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que se encontra em negociações para permitir o comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos da América, o posicionamento de Portugal «vai ser muitíssimo valorizado», uma vez que «90% de comércio mundial é feito por portos».

«Era muito importante que os portos portugueses tivessem muito bem dotados para receber este comércio, porque é negócio, é crescimento, é desenvolvimento e é emprego», concluiu.