O antigo governador do Banco de Portugal revelou esta quinta-feira que a dispersão do capital em bolsa seria a sua escolha para o futuro do Novo Banco, mas também vê com bons olhos fusões com outros bancos já presentes em Portugal.

"O que gostava mais era ver o Novo Banco cotado na bolsa no futuro", afirmou aos jornalistas António de Sousa, à margem da apresentação do livro "BES, os dias do fim revelados", escrito pela jornalista Alexandra Ferreira.

O responsável assinalou que uma eventual oferta pública de venda (OPV) teria que ser bem preparada e que não podia ser feita no imediato, apontando para um período sempre superior a seis meses.

Questionado sobre diferentes cenários de fusões entre o Novo Banco e entidades que já atuam no mercado português, António de Sousa, que também foi presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e da Associação Portuguesa de Bancos (APB), lançou a sua opinião.

"A CGD não me parece a melhor solução, já que resultaria numa instituição com uma quota de mercado um pouco excessiva e faria baixar o nível de concorrência do sistema bancário nacional", disse.

A fusão do Novo Banco com o BCP ou o BPI "já era mais possível", considerou, admitindo que, caso o BPI fique sem o Banco de Fomento Angola (BFA), fica "bastante reduzido", pelo que a sua combinação com o Novo Banco poderia dar-lhe maior escala.

"A combinação entre o BPI e o então chamado BES já esteve em cima da mesa mais do que uma vez", destacou.

A possibilidade de o Santander Totta, que adquiriu no final de 2015 o Banif - que tal como o Novo Banco também foi alvo de uma resolução -, comprar o banco de transição resultante da intervenção pública no Banco Espírito Santo (BES) também não é mal vista por António de Sousa.

"Haver dois bancos da dimensão da CGD não será o problema central da banca portuguesa", frisou, sublinhando que caso tal cenário se consumasse o banco de capitais espanhóis poderia ficar com uma quota de mercado superior ao banco público.

"O que é preciso é financiamento para as empresas exportadoras", realçou o responsável, que já tinha considerado que a nacionalidade do capital na banca não é um fator muito relevante, mas sim os planos que os bancos têm para ajudar ao desenvolvimento da economia.

Neste aspeto, António de Sousa referiu que "o BES sempre foi um banco muito importante para as empresas portuguesas", elogiando ainda o trabalho que tem sido feito pela equipa de gestão liderada por Eduardo Stock da Cunha à frente do Novo Banco.

Certo é que, na sua opinião, o BES e o Banif fazem falta ao setor bancário português e o papel que ocupavam, cada qual à sua escala, tem que ser bem preenchido.

Sobre a possibilidade de o Novo Banco vir a ser nacionalizado, António de Sousa salientou que "a curto prazo, em termos europeus, é muito difícil" tal acontecer.

E lançou: "Há composições que se podem fazer, mas é preciso ser criativo. É possível fazer fusões entre ativos".

No livro hoje apresentado no Grémio Literário, Ricardo Salgado, ex-líder do BES, contou à autora a sua versão sobre os factos, as decisões políticas e a questão de Angola que levaram à derrocada do Grupo Espírito Santo (GES), que controlava o BES.

O evento contou com a presença de várias personalidades bem conhecidas da opinião pública, como Eduardo Catroga, Proença de Carvalho, Henrique Granadeiro, Almerindo Marques, José Poças Esteves e Manuel Monteiro, entre outros.