O primeiro-ministro, António Costa, salientou esta segunda-feira que o investimento na futura ligação ferroviária Évora-Elvas é "simbólico do momento que se vive na economia portuguesa" e significa um reforço do investimento público.

O chefe do Governo português falava na cerimónia do lançamento do concurso para a ligação ferroviária entre Évora e Elvas, que decorreu ao final da manhã em Elvas, a qual deverá iniciar-se até março de 2019 e terá um custo de 509 milhões de euros, quase metade provenientes de fundos europeus.

Perante o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, António Costa fez esta “nota interna” no seu discurso no qual lembrou que Portugal virou a página da crise ao registar o maior crescimento económico dos últimos 10 anos, em 2017, e o défice mais baixo em 43 anos de democracia.

As obras na ferrovia, permitindo a ligação do porto de Sines e Lisboa à fronteira espanhola, são importantes para a Europa e para a Península ibérica, mas também para Portugal.

É também simbólico do novo momento que vive a economia portuguesa. Vivemos anos de dura crise, conseguimos virar essa página", afirmou o chefe do Governo, estimando num "aumento de 40%" do investimento público em 2018.

António Costa afirmou que "chegou a hora de, em primeiro lugar, apostar também no investimento público e, sem segundo lugar, com o investimento público, ajudar a sustentar este crescimento económico que tem estado assente, sobretudo, no investimento privado e nas exportações".

É um investimento que contribui simultaneamente para melhores condições para o investimento privado, para internacionalização e para exportação dos nossos produtos e serviços", salientou.

O chefe do Governo espera resultados e efeitos deste "investimento público" que contribua "não só para o crescimento, mas que ajude os investidores a investir, as empresas a exportar e as pessoas a poderem ter mais e melhor emprego".

Para este ano, e depois de um aumento que disse ter sido de 20% no investimento público em 2017, António Costa espera que este ano o aumento de 40% se reflita positivamente, nos "investimentos em saúde, educação e infraestruturas", para "aumentar a produtividade" da economia "mas também a capacidade de exportar cada vez mais".

Esta ferrovia da linha atlântica, entre Évora e a fronteira de Caia (Elvas), que, ao todo custará, nos próximos anos, mais de 500 milhões de euros, permitirá ligar os dois países por comboio, tendo em vista, especialmente, as mercadorias, o que explica a presença em Elvas do chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy.

O chefe do governo espanhol afirmou que são “excelentes notícias” o conjunto de obras que Portugal está a desenvolver na ferrovia, acrescentando tratarem-se de projetos de “capital importância” para aproximar os dois países.

As linhas Évora-Elvas e Elvas-Caia vão ao encontro desse objetivo de capital importância, unir os nossos cidadãos e melhorar o seu dia a dia”, disse o primeiro-ministro espanhol durante a cerimónia do lançamento do concurso para a ligação ferroviária.

Para Mariano Rajoy, o lançamento do concurso para a ligação ferroviária entre Évora e Elvas, bem como o arranque da fase de construção da linha ferroviária entre Évora e a fronteira do Caia (Elvas), são “excelentes notícias”, destacando ainda o apoio dos fundos europeus nesta área e o “trabalho” desenvolvido entre Portugal e Espanha em redor do projeto ferroviário.

Depois da cerimónia, os dois chefes de Governo saíram à rua, foram saudados por alguns populares, Costa até foi cumprimentar algumas pessoas, e seguiram para um almoço em Elvas, no Forte da Graça.

"Um dia histórico" 

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, considerou esta segunda-feira “um dia histórico” para Portugal o arranque da fase de construção da linha ferroviária entre Évora e a fronteira do Caia (Elvas).

“Um dia histórico em que assinalamos o arranque da fase de construção da linha ferroviária entre Évora e a fronteira. É um dia histórico para a Europa e para a consolidação da rede transeuropeia de transportes, um dia histórico para a Península Ibérica e para o reforço de ligações entre os nossos dois países”, disse.

Para o governante, trata-se também de “um dia histórico” para o país, uma vez que marca o arranque da “maior obra de linha nova dos últimos 100 anos” na ferrovia portuguesa.

O governante falava na cerimónia do lançamento do concurso para a ligação ferroviária entre Évora e Elvas, que decorreu ao final da manhã em Elvas, a qual deverá iniciar-se até março de 2019 e terá um custo de 509 milhões de euros, quase metade provenientes de fundos europeus.

Pedro Marques considerou este investimento “estruturante” e de uma “importância decisiva” para a consolidação da rede ferroviária, enquanto elemento de suporte da coesão europeia.

Recordando que Espanha é o “maior parceiro comercial” de Portugal, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas considerou essencial a concretização deste projeto para a “conectividade” entre os dois países e no sentido de facilitar a mobilidade de pessoas e de transportes de mercadorias.

Sublinhando o impulso que esta obra vai provocar no porto de Sines, Pedro Marques destacou ainda que o comboio de mercadorias a partir de Sines terá uma redução de custos “superior a 30%”, beneficiando desta forma o seu crescimento.

Mas os benefícios não se esgotam no porto de Sines, beneficiará na mesma medida nas acessibilidades aos portos de Setúbal e de Lisboa, que ganharão assim igual folgo adicional”, acrescentou.

Além de sublinhar que esta obra beneficiará também a região do Alentejo, Pedro Marques destacou ainda que este é o maior investimento público na região desde a construção da Barragem do Alqueva.

“Com este Governo e ao contrário do que aconteceu no passado, não estamos a encerrar linhas, pelo contrário, fazemos crescer a rede ferroviária nacional”, disse.

A obra de construção da nova linha entre Évora e Elvas, com cerca de 100 quilómetros de extensão, deverá iniciar-se até março de 2019 e a conclusão está programada para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus), segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

O concurso foi hoje lançado no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, na presença do primeiro-ministro, António Costa, do chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy e da comissária europeia dos Transportes, Violeta Bulc.

Antes, decorreu na estação de Elvas uma cerimónia simbólica, que assinalou o início da empreitada de modernização do troço Elvas-Caia, na fronteira com Espanha.

Este troço de 11 quilómetros, chamado ‘missing link’, faz parte do corredor internacional sul, que ligará o porto de Sines até à fronteira com Espanha.

De acordo com os dados do executivo comunitário, a modernização do troço Évora-Caia, com um custo estimado de 388 milhões de euros, recebe uma comparticipação da União Europeia de 56% (184 milhões de euros).

O Plano Ferrovia 2020, que promove as ligações com Espanha e a modernização dos principais eixos ferroviários, engloba, no total, um investimento superior a dois mil milhões de euros, dando especial destaque ao transporte de mercadorias e ao transporte público de passageiros.