O primeiro-ministro defendeu esta segunda-feira que o plano de reestruturação da CGD prevê a presença do banco público em todo o país. Mas salientou que o Governo não se substituirá à administração, colocando em causa a liberdade de gestão.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido cerca de duas horas com representantes das ordens profissionais. Na oportunidade, foi questionado sobre a contestação existente ao plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o qual prevê o encerramento de 180 balcões até 2020.

O plano de reestruturação da CGD garante a presença da Caixa em todo o país, em todos os concelhos. Mas, o Estado ser acionista da Caixa não significa que o Governo se deva meter na vida do dia-a-dia da CGD. Temos uma administração que deve exercer as suas funções com independência, com autonomia - e o Governo tem toda a confiança na Caixa para assegurar a boa gestão", respondeu o primeiro-ministro.

Aos jornalistas, António Costa preferiu antes advertir que a CGD está agora "num momento da maior importância, visto que neste mês se vai concretizar o processo de capitalização, de forma a existir uma Caixa, cem por cento pública e com o capital necessário para desenvolver a sua atividade fundamental, que é a de ser um estabilizador do sistema bancário, a garantia de poupança das famílias portuguesas e um instrumento do serviço da economia".

Nós [Governo], como acionistas, fizemos o que nos competia, que era aprovar os planos de capitalização e de reestruturação e negociar com as instituições europeias a sua viabilidade. Confiamos na Caixa para gerir no dia-a-dia a sua atividade - e tenho a certeza que a administração fará uma boa gestão da Caixa", acentuou.

Confrontado com as dúvidas manifestadas por todas as bancadas, incluindo a do PS, em relação ao plano de reestruturação da administração da CGD, António Costa procurou desdramatizar, advogando que tal faz parte "da vida política".

O Governo cá estará para responder a todas as perguntas. Agora, há uma coisa que o Governo não fará: não se substituirá à administração da Caixa na gestão do dia-a-dia, porque a CGD, embora sendo pública, não deixa de ser uma empresa", alegou.

Garantias de Centeno

Em Bruxelas, o ministro das Finanças assegurou entretanto que os "portugueses terão serviços bancários, também através da Caixa Geral de Depósitos".

Mário Centeno afirmou-se “completamente seguro” de que o fecho de agências não irá desviar os serviços bancários da Caixa Geral de Depósitos da população.

A ideia que vai ser debatida seguramente em Portugal é a de que a Caixa saia do processo de recapitalização e de reestruturação fortalecida e capaz de ter um serviço bancário de grande qualidade e de apoio às Pequenas e Médias Empresas e às famílias portuguesas”, sustentou Mário Centeno à saída de uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro.

Fechar e abrir balcões

Por seu lado, a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, mostrou-se preocupada com o plano de restruturação da Caixa Geral de Depósitos (CGD), considerando que o banco tem de ter uma estratégia de serviço publico.

O que é preciso é que a Caixa seja pensada para o serviço público que deve fazer”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas, em Viseu.

Na sua opinião, a função do banco público é “servir as populações de todo o país”, o que “não quer dizer ficar tudo como está”.

Significa que o plano de reestruturação não pode servir para tirar o acesso à CGD a partes do território. Significa que onde ela falta tem de abrir [balcões] e onde for redundante pode fechar”, frisou.

A líder bloquista sublinhou que “a CGD está num processo de recapitalização que é importante para que haja um banco público forte”.

O Governo PSD/CDS não recapitalizou a Caixa e, com isso, foi fazendo o problema aumentar. Felizmente, há agora as condições para a recapitalização pública da Caixa, mas se nós temos o banco público que é pago por todos nós, ele tem de servir todo o país e todas as populações”, considerou.

Garantias do Governo

Segundo Catarina Martins, o BE tinha recebido do Governo garantias de que “não haveria nenhum despedimento. Quem ia sair era porque ia para a reforma ou tinha decidido sair e o encerramento de balcões não colocaria em causa a presença da CGD no todo do território nacional”.

Consideramos que, neste momento, o plano concreto que está em cima da mesa não dá essas garantias”, explicou, acrescentando que, nesse âmbito, pediu ao ministro Mário Centeno “para ir à Assembleia da República dar explicações, em comissão, sobre o que é que vai suceder à CGD”.

Catarina Martins garantiu que o BE mantém duas posições de princípio: “não pode haver despedimentos e o plano de reestruturação não pode por em causa os serviços da Caixa, banco público, às populações em todo o território nacional”.