Em francês, em terra de franceses, o primeiro-ministro português defendeu hoje a conclusão da União Económica e Monetária para se construir “a Europa do futuro”. E deu Portugal como exemplo de empenho no cumprimento dos critérios para a dívida e o défice.

António Costa, que discursou na abertura do ano académico do Colégio da Europa, em Bruges, salientou que “sem completar a União Económica e Monetária (UEM)” não haverá “as bases sólidas para construir a Europa do futuro”. Defendeu, nesse seguimento, a criação de um Fundo Monetário Europeu como um passo fundamental para a conclusão da UEM.

A seguir, deu Portugal como exemplo: “O percurso de recuperação económica que temos vindo a fazer mostra que é possível cumprir as regras orçamentais e, simultaneamente, implementar medidas económicas que promovam o crescimento, o emprego e a coesão social”, cita a Lusa.

A minha convicção quanto à urgência da reforma da UEM e à criação de uma nova geração de políticas de convergência apoia-se na experiência portuguesa. O percurso de recuperação económico que Portugal tem vindo a fazer mostra que é possível cumprir as regras orçamentais e, simultaneamente, implementar medidas económicas que promovam o crescimento, o emprego e a coesão social".

Depois, vincou que “temos de concluir o que iniciámos, como a união bancária, e precisamos de ter mecanismos eficazes para enfrentar choques externos e criar estabilizadores automáticos em caso de crise”.

Perante uma sala cheia de estudantes e professores da instituição, Costa acrescentou que “Portugal está firmemente comprometido com os objetivos do equilíbrio orçamental, da redução progressiva da dívida pública e com a manutenção dos fatores de competitividade internacional da economia portuguesa”. Defendeu, no entanto, “um enquadramento macroeconómico da zona Euro mais amigo da convergência”.

O seguro europeu de depósitos, a base orçamental do Fundo Único de Resolução, a progressiva transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade num verdadeiro Fundo Monetário Europeu são propostas importantes, cuja implementação reforçará a União Monetária”.

O chefe de Governo português salientou ainda que a "chave" da estabilidade da zona euro está na convergência económica e social entre as economias dos diferentes Estados-Membros.

Defendeu, também, a proposta de um orçamento para a zona euro, salientando a necessidade de “criar instrumentos de política orçamental que, em coordenação com a política monetária, permitam à zona Euro ter uma política económica integrada, que una a Europa superando as divisões entre Norte e Sul, centro e periferia”.

Brexit

Sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, Costa adiantou esperar que “as negociações com o Reino Unido venham a dar lugar a uma futura relação de estreita proximidade e cooperação com a UE a 27”.

Alinhando com o discurso proferido na quarta-feira pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o primeiro-ministro português defendeu que se aproveite “este momento para construir uma Europa mais unida, mais forte e mais democrática”.

Tentações a evitar

Sobre o futuro da UE a 27, António Costa defendeu que o debate deve resistir a “quatro tentações”, a primeira das quais a de “abrir um processo de revisão dos tratados”.  “O Tratado de Lisboa deve continuar em Lisboa e ter a flexibilidade necessária para fazer face aos desafios que se nos colocam”.

E passou depois à segunda: “embrenharmo-nos em inextricáveis debates institucionais em vez de nos focarmos na resposta às preocupações dos cidadãos”.

A terceira tentação a evitar é a de a UE se deixar “paralisar pela natural heterogeneidade das visões nacionais sobre o futuro da Europa”.

Em quarto lugar, não se deve fugir para a frente, “procurando idealizar novas missões sem consolidar o que já está adquirido”.

O primeiro-ministro defendeu também a necessidade de serem encontradas, “com pragmatismo, vias de conciliação e compromisso com os demais parceiros e soluções que beneficiem o interesse geral e rompam com dinâmicas estéreis e perigosas de afrontamento entre o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, os grandes e os pequenos, os mais ricos e os mais pobres”.