O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que ainda não existe "decisão final" sobre uma eventual injeção de quatro mil milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos (CGD), remetendo qualquer comentário para a conclusão do processo.

"Não, o que o Expresso diz é que há um programa de reestruturação que está a ser preparado pelo conselho de administração [da CGD] que está a ser constituído e que está a ser discutido com o Governo. Quando houver uma decisão final sobre essa matéria, trataremos", afirmou aos jornalistas, em Santo Tirso, distrito do Porto, à margem da inauguração de dois museus da cidade.

O semanário Expresso noticia este sábado que o Governo aceita injetar quatro mil milhões de euros na CGD.

De acordo com o jornal, António Domingues colocou como condição para aceitar a liderança da CGD a recapitalização do banco num montante que pode ir até aos quatro mil milhões e que António Costa já teria dito que sim.

O reforço de capital da CGD neste montante que está em cima da mesa supera as necessidades reais do banco no imediato, afirma ainda o Expresso.

A injeção de capital terá de ser negociada com a Comissão Europeia, mas António Costa e o ministro das finanças, Mário Centeno, já terão recebido a concordância da presidente do conselho de supervisão do Banco Central Europeu sobre a ideia de a caixa geral de depósitos ser o pilar estrutural do capital financeiro em Portugal.

Recorde-se que esta semana a Caixa Geral de Depósitos registou prejuízos de 74,2 milhões de euros entre janeiro e março deste ano, segundo informação à CMVM dos Resultados Consolidados do 1.º trimestre de 2016.

Estes prejuízos comparam com o lucro de 2,1 milhões de euros obtidos no período homólogo do ano passado.

PCP a favor da recapitalização

"O PCP está de acordo que se recapitalize a CGD desde que sirva para o desenvolvimento económico, para atender às pequenas e médias empresas (PME), para atender às famílias. Esta é uma posição clara do PCP", afirmou Jerónimo de Sousa.

Na sua intervenção, durante o encerramento da X Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco do PCP, Jerónimo de Sousa sublinhou que uma das questões que está na ordem do dia é o "sim ou não" à recapitalização da CGD.

Nós [PCP] defendemos que o Estado que tanto tem posto a mão por baixo à banca privada, obrigando os portugueses a pagar o desmando dessa banca, nós pensamos que a CGD não só deve ser recapitalizada como fortalecida com o objetivo de se virar para o apoio da nossa economia nacional, dos pequenos e médios empresários e agricultores, de apoio às familias", defendeu, de acordo com a Lusa.