A meta do Governo para o crescimento económico de 1,6% no conjunto deste ano é alcançável, sendo que a instabilidade política não deverá prejudicar o ritmo de crescimento no último trimestre, afirmaram analistas contactados pela agência Lusa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga hoje a estimativa rápida das contas nacionais, devendo anunciar um crescimento da economia portuguesa de cerca de 0,4% no terceiro trimestre face ao segundo e perto de 1,8% perante o mesmo período de 2014, segundo a média das estimativas recolhidas pela agência Lusa junto de departamentos de estudos económicos.

No que diz respeito às estimativas para o conjunto do ano, analistas contactados pela Lusa admitem que a meta do Governo, de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% face a 2014, será alcançável.

Segundo disse a economista-chefe do Banco BPI, Paula Carvalho, “basta que a economia cresça entre 0,2% e 0,3% no quarto trimestre” face ao anterior, para que seja “perfeitamente possível” cumprir a meta do Governo.

“Aliás, as previsões mais recentes de organismos internacionais são até mais otimistas”, acrescentou, lembrando que, tanto a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), como a Comissão Europeia, estimam um crescimento económico de 1,7% em Portugal.

Também o economista-chefe do banco Montepio, Rui Serra, considera que “a economia poder crescer menos de 1,6% [este ano] não é muito realista”.

Rui Serra admite que a instabilidade política pode colocar alguns riscos descendentes à previsão, porque “os agentes económicos são avessos ao risco e preferem sempre situações de certeza a situações de maior risco”, mas que de momento não existem ainda dados que possam inferir o verdadeiro impacto no crescimento económico.

“É difícil que mesmo com alguma instabilidade política o último trimestre seja verdadeiramente muito mau”, afirmou, considerando que, “se o quarto trimestre for de estagnação, a economia iria subir no conjunto do ano só 1,6%”, em linha com a estimativa do Governo.

Também o professor António Ascensão Costa, do Grupo de Análise Económica do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), acredita que “este ritmo de crescimento homólogo de 1,6%, à volta de 1,6%, se vai manter no trimestre atual”, ou seja, no quarto trimestre.

Questionado pela Lusa sobre se a instabilidade política pode comprometer o desempenho económico do último trimestre, António Ascensão Costa afirmou que “a curto prazo não tem impacto”.

“A um prazo maior pode ter efeito, porque pode alterar a distribuição do rendimento e alterar as componentes, mas a curto prazo, o ritmo está dado”, afirmou.

Aliás, disse o professor do ISEG, “atualmente o crescimento da economia portuguesa parece estar mais dependente do que se passa no exterior do que do que se passa internamente”, lembrando que na Europa há “uma ligeira desaceleração”, que “o crescimento está a ficar ligeiramente aquém das melhores perspetivas” e que Portugal não está a ganhar muito com a queda do preço do petróleo.

“Pensávamos que ganhávamos um pouco ou bastante com a queda do preço do petróleo, mas aparentemente não estamos a ganhar por causa das exportações, nomeadamente para os países exportadores de petróleo, como Angola”, explicou.

Para o conjunto do ano, o ISEG e o BPI apresentam a estimativa menos otimista, de um crescimento de 1,6% do PIB face a 2014, em linha com o antecipado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, enquanto Montepio e BBVA esperam que a economia avance 1,7% e o Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica antecipa uma melhoria de 1,9%.

Entre as organizações internacionais, a Comissão Europeia e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estimam que a economia cresça 1,7% este ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma subida de 1,6% do PIB em 2015.

Para 2016, Montepio e BBVA estimam um crescimento de 2%, em linha com o antecipado pelo executivo de Pedro Passos Coelho no Programa de Estabilidade, divulgado em abril passado.

BPI e NECEP anteveem que o PIB melhore 1,8% no próximo ano, seguido da Comissão Europeia (1,7%).

A OCDE e o FMI são mais pessimistas, ao antever que o PIB avance 1,5%. O ISEG ainda não tem previsões para o próximo ano.