O regulador das comunicações entendem que as operadoras não devem cobrar pelas faturas que enviam aos seus clientes, seja qual for o meio que utilizam.

Em comunicado a ANACOM recomenda “aos operadores de telecomunicações que não cobrem qualquer valor pela disponibilização de faturas não detalhadas ou com um mínimo de detalhe aos seus assinantes, seja em papel ou em qualquer outro suporte.”

Na origem desta recomendação estão reclamações de consumidores e notícias dando conta de que a MEO pretende cobrar, a partir de abril, pelo envio das faturas em papel aos clientes de voz móvel e de pacotes de internet fixa e móvel.

A ANACOM apurou ainda que, pelo menos, a NOS e a NOWO preveem, "nos contratos que utilizam e na divulgação que fazem das condições de oferta dos seus serviços, que o envio de fatura em papel, pelo correio, implica um encargo adicional para os seus assinantes.”

Segundo o regulador “estes operadores estão assim a fazer depender o envio de fatura em papel de um pagamento por parte dos seus clientes, o que se afigura particularmente gravoso para as camadas da população mais vulneráveis, nomeadamente as pessoas idosas, os consumidores de menores rendimentos e cidadãos com baixos índices de escolaridade e literacia digital.”

De acordo com a legislação em vigor, os clientes têm o direito a receber faturas dos serviços que lhes são prestados, devendo as faturas não detalhadas ou com o nível mínimo de detalhe fixado pela ANACOM ser disponibilizadas sem quaisquer encargos.

Além disso, “a emissão e a entrega do original da fatura ao cliente são obrigações do prestador de serviço e, tratando-se de uma obrigação de natureza fiscal, a ANACOM não considera legítimo que os operadores repercutam sobre os seus clientes os encargos que têm para cumprir aquela obrigação.”

A Deco já tinha chamado a atenção para esta situação. A associação de Defesa do Consumidor já recebeu “inúmeras” reclamações de clientes da operadora.