Tudo o que dizia respeito às relações com o BES Angola, no Grupo Espírito Santo, era assunto tratado apenas entre Ricardo Salgado e Álvaro Sobrinho, segundo o ex-administrador do Grupo Espírito Santo, José Manuel Espírito Santo Silva, um dos mais velhos na última hierarquia da família.

«Tive conhecimento ao mesmo tempo dos outros» do endividamento. «Foi um assunto que nunca acompanhei porque estava dito e compreendido que o BESA era um assunto que era tratado pelo Dr. Ricardo Salgado e pelo Dr. Álvaro Sobrinho e era sabido no banco»

«Quero que fique aqui bem assente que inclusivamente uma vez numa comissão executiva um colega disse 'é um assunto que eu não trato mais, as relações com o BESA, porque o presidente do BESA disse que tratava apenas com Ricardo Salgado'. E isso é verdade».


Por isso, José Manuel Espírito Santo Silva rejeita ter acompanhado o que se passava no BES Angola, entidade a que o BES emprestou 3 mil milhões de euros, cobertos por uma garantia assinada pelo presidente angolano José Eduardo dos Santos, que deixou cair aquando da resolução que dividiu o BES em banco bom e banco mau e que fez com que o capital que o fundo de resolução teve de inhetar no Novo Banco tivesse subido para 4,9 mil milhões. 

«Não me pergunte sobre se conhecia ou não o BESA. Ouvia histórias que me preocupavam de clientes que não conseguiam transferir o dinheiro. Isso foi uma situação muito má. Quando se alterou governance do BESA e passou a ser o Dr. Morais Pires, mudou completamente a situação e ficou melhor. Agora, o chamado buraco soube ao mesmo tempo que as outras pessoas, com grande indignação»


Só depois de insistência de Filipe Neto Brandão é que admitiu que foi «há cerca de dois anos» que teve conhecimento dos problemas, ou seja,  no «início» de 2013, mas que foi «apanhado de surpresa».