O ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira defendeu esta sexta-feira que a prioridade nos próximos anos «vai ser baixar impostos», com a ambição de ter um IRC dos mais reduzidos da Europa, o que obrigará a cortar na despesa.

«É preciso continuar a apostar nesse diálogo social», nomeadamente para avançar «com a reforma da Segurança Social e a reforma do Estado» e, dessa forma, «reduzir despesas» e «apostar em reformas estruturais», afirmou Santos Pereira numa conferência no Porto, na segunda intervenção pública sobre economia desde que deixou o Governo, em julho de 2013.

Para o ex-ministro, «nos próximos anos a prioridade vai ser baixar impostos», porque uma taxa de IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) de 18% ou 19% não chega.

¿Temos de ter a ambição de ter o mais IRC mais baixo ou de estar no ¿top¿ 5 dos mais baixos da Europa¿, defendeu Álvaro Santos Pereira, atualmente em funções na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Paris.

O ex-governante, que falava durante a conferência ¿As Empresas e o Imperativo da Competitividade¿, organizada no Porto pela Boyden Portugal, não quis prestar declarações aos jornalistas no fim do evento, mas admitiu estar a referir-se a toda a carga fiscal nacional.

Relativamente aos impostos, Santos Pereira defendeu ainda que o Estado devia apostar na ¿fiscalização, para que os prevaricadores sejam punidos¿.

Admitindo não existirem «receitas mágicas para nada», o ex-ministro considerou elementar «prosseguir as reformas estruturais» do país, que «foram verdadeiramente históricas».

«O que distingue Portugal é que tivemos a coragem de ir contra lobbies e fizemos a concertação social necessária para manter a paz social», vincou, destacando que, desde 2011, altura em que o atual Governo PSD/CDS tomou posse,«a performance exportadora» do país se «alterou de forma significativa».