O novo presidente da antiga Portugal Telecom escreveu aos cerca de nove mil funcionários da empresa para garantir a sustentabilidade da casa-mãe Altice e a aposta em Portugal.

Alexandre Fonseca, que substituiu Cláudia Goya, na presidência executiva da dona do MEO, garante, na mesma carta, que o grupo francês tem capacidade para honrar os seus compromissos.

O responsável assegura que a mudança de gestão não vai alterar a estratégia da Altice e que continuará a ser implementado um programa convergente entre comunicações, media e conteúdos e publicidade digital.

“Ir mais longe e crescer o nosso negócio, na área das comunicações, mas, essencialmente procurar este crescimento em novas áreas de atividade, criando parcerias estratégicas que permitam diversificar a nossa oferta, alargar o nosso espetro de atuação no mercado e aumentar a nossa influência e relevância da transformação digital das organizações e da sociedade portuguesa.”

Alexandre Fonseca quis assim deixar ainda uma mensagem de confiança aos trabalhadores, garantindo que a Altice pretende dar uma nova dimensão ao papel da PT como motor do desenvolvimento e competitividade da economia nacional.

Quero uma verdadeira equipa Altice / Portugal Telecom unida, que fale a uma só voz, e com uma liderança próxima.”

Uma mensagem a que os funcionários também já reagiram. Em comunicado, sindicato dos trabalhadores do grupo Portugal Telecom não esconde que já ouviu esta conversa:  “está agora nomeado para CEO da PT Portugal o engº Alexandre Fonseca, que já se dirigiu por escrito aos trabalhadores tal como os antigos CEO’s, com promessas de “ir mais longe” e “de evoluir e crescer” de desenvolver a PT e ajudar o país.”

No passado dia 16 de Outubro “também Claudia Goya e os principais donos da Altice faziam 7 promessas para Portugal e para os portugueses no MEO Arena. Logo poucos dias após estala e torna-se pública a crise na Altice com consequências devastadoras para o grupo e para as empresas que o integram como é o caso da PT Portugal.”

O STPT gosta sempre de dar o beneficio da dúvida, mas a situação na PT Portugal criada pela Altice já não dá grande margem para termos em conjunto com os trabalhadores as melhores perspetivas", acrescenta o comunicado.

Independentemente do que venha acontecer, o grupo francês Altice não parece disposto a deixar Portugal e considera a operação portuguesa uma das suas maiores apostas, apesar dos tempos agitados que vive e que exigem redução de dívida, por exemplo, pela via dos desinvestimentos.

“Portugal é hoje uma das nossas maiores apostas no mundo. O nosso compromisso com o país, para com a economia e para com a inovação é continuar a construir um grupo Altice forte, sólido, moderno e capaz. É este futuro que todos os dias ambicionamos e para o qual todos os dias trabalhamos”, tinha garantido o fundador, Patrick Drahi, numa mensagem enviada aos trabalhadores  aquando do anúncio da substituição de Cláudia Goya por Alexandre Fonseca.

Atualmente a Altice está em processo de compra da Media Capital, detentora da TVI, e já fez saber que, apesar de excluir aquisições e admitir vender ativos para reduzir a dívida, o negócio em Portugal não está em causa. Um processo que, para já, está nas mãos da Autoridade da Concorrência numa altura em que os deputados da comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto aprovaram por unanimidade a audição, com caráter de urgência, da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) este negócio.