Portugal vai precisar de 15,2 mil milhões de euros em 2015 para se financiar ao longo do próximo ano, contando com uma «almofada financeira» de 9,4 mil milhões no final de 2014, segundo o IGCP.

De acordo com a última apresentação aos investidores do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP), de outubro, as necessidades de financiamento de Portugal para 2015 situam-se nos 15,2 mil milhões de euros, dos quais 4,3 mil milhões serão para financiar o défice orçamental e 8,1 mil milhões para amortizar dívida.

Destes 8,1 mil milhões de euros que o Estado terá de usar para reembolsos, a maior parcela, de 7,6 mil milhões, será canalizada para títulos do tesouro e 500 milhões serão para devolver ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo empréstimo começará a ser devolvido em 2015.

Para o final deste ano, a instituição liderada por Cristina Casalinho antecipa uma 'almofada financeira' de 9,4 mil milhões de euros, dos quais 2,5 mil milhões são parte da verba do resgate internacional que ficou consignada à banca e que não foi utilizada. No entanto, este valor só poderá ser usado se o sistema financeiro português não precisar de ser recapitalizado.

Em maio, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, afirmou no Parlamento que o montante do resgate reservado à banca que sobra pode ser usado "sem qualquer tipo de restrição" após os testes de 'stress' aos bancos, fazendo depender a utilização deste montante dos resultados do exame que Bruxelas está a fazer ao sistema financeiro europeu e que ainda não foram conhecidos.

Contudo, na altura, o Estado tinha reservados para os bancos 6,4 mil milhões de euros mas, com os problemas que entretanto surgiram no Banco Espírito Santo (BES) e que levariam à sua extinção, o envelope destinado a eventuais situações no sistema bancário ficou reduzido a 2,5 mil milhões.

Isto porque, dos 4,9 mil milhões de euros que entraram no Fundo de Resolução para recapitalizar o Novo Banco, que concentrou os ativos considerados não tóxicos que estavam na esfera do BES, 3,9 mil milhões provêm do dinheiro da troika, assegurando os outros bancos os mil milhões restantes, como escreve a Lusa.