No passado domingo, Alexis Tsipras recebeu do povo grego um mandato claro que diz “Não” à austeridade, mas também recebeu do povo grego um “Sim” à zona euro. Ora, esta sexta-feira no parlamento grego, depois de ter enviado novas propostas à zona euro com mais austeridade, o primeiro-ministro serviu-se precisamente do “mandato para não sair do euro” para justificar internamente as propostas apresentadas a Bruxelas. 

Alexis Tsipras apelou aos deputados do Syriza para que aprovem o plano de reformas proposto na quinta-feira aos credores, avança a Reuters que cita fonte oficial do governo de Atenas. 

Em busca de uma aprovação por parte do seu partido, Tsipras lembrou os deputados de que estão “todos juntos” nesta negociação. "Ou estamos todos juntos nisto ou caímos todos juntos", terá afirmado, segundo o jornal Kathimerini.

“Estamos a ser confrontados com decisões cruciais. Temos um mandato para fechar um acordo melhor que o ultimato que o Eurogrupo nos deu, mas certamente não um mandato para sair da zona euro", afirmou o primeiro-ministro grego.


Os deputados gregos deverão começar a debater o pacote de reformas esta tarde, sendo esperado um voto "tardio" durante a noite.

Esta sexta-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou que o texto da proposta grega é muito completo e que o Eurogrupo pode tomar uma "grande decisão" este sábado. 

Já o presidente francês, Francois Hollande, considerou que as propostas enviadas esta quinta-feira por Atenas aos credores são “sérias“ e “credíveis”, mas sublinha que “nada está ainda decidido”.

As propostas que o Governo helénico enviou aos credores incluem um aumento das taxas do IVA e mudanças nas pensões de reforma e no regime da Função Pública, que cita a página oficial do executivo de Atenas. 

De acordo com o texto das propostas divulgado online, a Grécia deseja uma solução “para regularizar” a sua enorme dívida pública, que ascende a 180% do PIB (Produto Interno Bruto), bem como “um pacote de 35 mil milhões de euros” consagrado ao crescimento económico e pede um resgate de 53,5 mil milhões de euros.