O período pós- troika continuará a ser de condicionalismos e ajustamento orçamental, alertaram os economistas Daniel Traça e Nuno Sousa Pereira, que participam esta sexta-feira no encontro de economistas promovido por Cavaco Silva, em Belém.

«Portugal continuará a precisar de apoio e esse apoio terá sempre contrapartidas. Portanto, independentemente desta crise política se resolver e haver um bocadinho mais calma, o futuro continuará a ser com algum condicionalismo das instituições europeias», disse Daniel Traça, da Universidade Nova de Lisboa, citado pela Lusa.

Segundo Daniel Traça, durante o encontro com o Presidente da República de cerca de 30 economistas, estiveram em cima da mesa o regresso de Portugal aos mercados, a necessidade do crescimento e a importância do discurso voltado para o crescimento.

«Este regresso aos mercados não será fácil, vai exigir no fundo uma continuação desta austeridade e essa austeridade exigirá um grande consenso, que inclua todos os protagonistas quer a nível político quer a nível social», disse o economista aos jornalistas.

Nuno Sousa Pereira (Porto Business School), por sua vez, destacou a importância de «não se colocar em causa tudo o que de bom foi alcançado, com o esforço de todos os portugueses» e salientou uma vez mais a importância de ser construído um consenso político.

«Neste momento, a instabilidade política e a incerteza com que os agentes económicos são confrontados certamente pode colocar em causa a sustentabilidade de tudo aquilo que foi feito. Houve por isso um forte apelo para que se reforce a confiança nas instituições, de forma a vermos o pós junho de 2014 com mais otimismo», disse.

À semelhança dos economistas Diogo de Lucena e João Loureiro, que falaram também aos jornalistas à margem do encontro, Daniel Traça e Nuno Sousa Pereira lembraram a necessidade de Portugal encontrar nos próximos dias uma solução governativa «estável».

A demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS, Paulo Portas, na terça-feira, desencadeou uma crise no Governo. No mesmo dia, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez uma declaração ao país, afirmando que não aceitou o pedido de demissão e que as condições de governabilidade teriam que ser clarificadas com o segundo partido da coligação.

Desde então, Passos Coelho e Paulo Portas têm mantido reuniões e contactos no sentido de ultrapassar a atual crise governativa, tendo o chefe do Executivo já reunido com o Presidente da Republica para debater o assunto, mas não é ainda conhecida uma solução.