O presidente da AICEP manifestou-se esta sexta-feira «tranquilo» em relação às projeções do FMI de um crescimento médio anual de 5% das exportações nos próximos cinco anos, considerando que mostram que a instituição acredita na sua sustentabilidade, escreve a Lusa.

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Pedro Reis, cujo mandato terminou em dezembro e afastou a hipótese de ser reconduzido no cargo, falava aos jornalistas após ter sido recebido pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, em Belém.

«Estou muito tranquilo quando vejo as projeções do FMI [Fundo Monetário Internacional] para as exportações nos próximos cinco anos, que registam um crescimento, em média, de 5% em termos anuais», pois demonstram que a instituição «acredita na sustentabilidade das nossas exportações», disse.

O alerta sobre o contributo mais limitado das exportações líquidas para o crescimento de Portugal foi feito pelo FMI na quarta-feira, tendo no dia seguinte o relatório sobre a décima avaliação regular ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), divulgado pela Comissão Europeia, referido que o modelo de crescimento de Portugal assentava no aumento das importações, o que iria levar à redução da contribuição das exportações em termos líquidos para o crescimento económico do país.

O presidente da AICEP referiu-se igualmente ao peso das exportações de combustíveis, facto que foi «particularmente assinalado» no relatório do FMI.

«Entendo que há que pôr as coisas em perspetiva. As exportações de bens e serviços portuguesas [dados do Banco de Portugal] revelam que as exportações de combustíveis valem 7,3% do total das exportações. É verdade que contribuíram com 35% para o aumento deste ano, mas quem está a exportar, além de combustíveis, é toda uma economia, são todos os setores que, sem os veículos, cresceram quase que unanimemente ao longo deste ano e ultrapassaram números recorde», salientou.

«Estou [por isso] muito tranquilo com a capacidade das empresas portuguesas aumentarem as exportações e a sustentabilidade destes números que são tão importantes para a nossa economia», disse.

Pedro Reis referiu ainda que não há «outro caminho» que não seja a «aposta do país nas exportações, no investimento privado e, em particular, a captação de investimento externo, incluindo a nível setorial a atração do turismo».