O consumo de água no Algarve no último verão aumentou 4% relativamente ao de 2012, subida que pode ser explicada pelo acréscimo de turistas neste ano, disse hoje à Lusa a administradora da Águas do Algarve (AdA).

Segundo Isabel Soares, esta variação no consumo de água da rede refletiu-se nas faturas dos municípios mais turísticos, como Albufeira, Portimão ou Loulé, cujas contas mensais de água podem atingir um milhão de euros durante o verão.

Segundo os empresários do setor da hotelaria no Algarve, o número de turistas que visitaram o Algarve durante o último verão equiparou-se ao de 2010, uma vez que em 2011 e 2012 o turismo sofreu fortes quebras na região.

Já entre janeiro e maio de 2013 verificou-se uma diminuição do consumo de água na ordem dos 3%, relativamente ao ano anterior, o que se deve ao facto de este ter sido um ano muito chuvoso, disse Isabel Soares, ex-presidente da Câmara de Silva e administradora da AdA.

A chuva fez com que os municípios poupassem água, por exemplo, na rega de jardins e espaços verdes, mas Isabel Soares notou, ainda, que os consumidores estão também mais cautelosos, devido à crise.

Entretanto, a dívida total dos municípios algarvios à empresa cifrava-se, no final de setembro, ainda em aproximadamente 74 milhões de euros.

Segundo Isabel Soares, este ano foram pagos cerca de 20 milhões de euros de dívida por parte das autarquias, devido aos financiamentos obtidos através do Programa de Apoio à Economia Local (PAEL).

Graças a essa linha de crédito, a dívida dos municípios algarvios à AdA não tem aumentado, quando nos últimos anos chegou a crescer a um ritmo de 20% por ano, exemplificou.

A AdA vende a água aos municípios algarvios por 0,47 euros por metro cúbico, sendo depois cada autarquia a fixar o valor cobrado ao consumidor.

A empresa fornece anualmente, em média, 66 milhões de metros cúbicos de água, o que representa uma faturação de 31 milhões de euros por ano.

Reservas para os próximos dois anos

As reservas de água existentes nas barragens do Algarve são suficientes para abastecer a região, mesmo que não chova durante dois anos, disse ainda Isabel Soares.

«Temos água, seguramente, para o Algarve ficar descansado. Mesmo se não entrasse água nenhuma nos próximos dois anos, dois anos e meio, tínhamos água para fornecer o Algarve inteiro», assegurou aquela responsável, sublinhando que desde 2005 que a região não tem anos de seca severa.

A entrada em funcionamento da maior barragem do Algarve, a de Odelouca, em Silves, que começou a fornecer água há um ano e meio, completou o sistema multimunicipal de abastecimento de água da empresa, evitando o recurso a furos subterrâneos e aliviando a agricultura.

Aquela barragem, com capacidade para mais de 100 milhões de metros cúbicos de água, é a única na região cuja água é usada exclusivamente para consumo público e que Isabel Soares garante ser de excelente qualidade, apelando ao consumo de água da torneira.

«As pessoas, muitas das vezes, pensam que as nossas águas são calcárias, mas isso é um engano. Não temos águas calcárias, isso era quando eram obtidas através de furos. Realmente, nessa altura, eram águas com um teor de calcário muito elevado», reconheceu Isabel Soares.

Admitindo que a água pode não ter a mesma qualidade quando chega ao copo, devido, por exemplo, à degradação da canalização, Isabel Soares sublinhou que, no geral, não há grandes alterações e que a maioria das pessoas não nota a diferença no sabor entre a água da torneira e a engarrafada.