As três centenas de lesados pelo ex-BES, uma esmagadora maioria emigrante, continuaram esta tarde de sexta-feira em protesto em frente ao Banco de Portugal (BdP), na baixa de Lisboa, após marcha desde a sede do Novo Banco.

Além da eventual reunião, combinada para breve, na instituição liderada por Carlos Costa, a delegação da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP) foi acolhida pela chefe de gabinete do governador do BdP, que lhes pediu para enviarem uma mensagem de correio eletrónico expondo a situação concreta para agendar um encontro com os responsáveis do regulador, tendo os manifestantes começado a desmobilizar em seguida.

Viemos com uma mão cheia de nada. Receberam-nos muito cordialmente, mas disseram para mandarmos um ‘e-mail'. Queremos a reunião antes de 30 de agosto porque é o prazo para responder às propostas do Novo Banco", disse à Lusa a tesoureira da AMELP, Cidália Santos Silva.

Os emigrantes lesados da instituição financeira, protestaram, desde as 11:30,  à frente da sede do Novo Banco, em Lisboa, e tentaram mesmo furar o cordão policial. Uma delegação representativa destes ex-clientes subiu para ir falar com a administração. Nesse entretanto, os manifestantes tentaram furar o cordão policial e os ânimos exaltaram-se.

Foram cerca de duas dezenas de emigrantes que levantaram e empurraram contra a polícia as grades que protegem o edifício. Após alguns minutos de tensão, o reforço do corpo de intervenção da PSP contrariou a investida e o protesto seguiu barulhento, mas pacífico.

A associação que representa os emigrantes lesados do BES  revelou na terça-feira um "entendimento" com o Novo Banco e o Governo do PS, que passa pela recuperação de 75% do dinheiro investido dos produtos Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7.

A reportagem da TVI no local constatou que muitos dos associados que se estão a manifestar não sabem desse acordo e, aqueles que sabem, não concordam com uma recuperação de apenas 75% do dinheiro investido.

Ou 100% ou nada. Prefiro ficar sem nada, mas o que é isto?", dizem.

Estes clientes do ex-BES reclamam ainda em relação a dois produtos financeiros em que investiram e que ainda não têm solução. Em causa, está um investimento total de 140 milhões de euros em EG Premium e Euro Aforro 10.

Queixas que estão também na origem dos insultos aos dirigentes da AMELP, que foram recebidos pela administração presidida por António Ramalho, colocando em causa a bondade das suas intenções.

Segundo dirigentes da associação, que representa os emigrantes lesados do BES, os "elementos agitadores" serão clientes lesados do papel comercial que não aceitaram o acordo já firmado entre outra associação, o Novo Banco e o Governo, os quais terão conseguido "infiltrar-se" nos autocarros que se dirigiram a Lisboa e se concentraram a partir das 11:30.

"Houve garantia da administração e do Governo de que até outubro serão depositados 15% das poupanças de quem tinha o produto Aforro 10. Estão a trabalhar para resolver as situações ainda pendentes, que precisam de ser negociadas. A administração do Novo Banco compreendeu o descontentamento das pessoas. Ainda não têm uma solução, mas vão tentar encontrá-la o mais rápido possível", disse o presidente da AMELP, Luís Marques.