Os CTT estão a disparar 4,6% em bolsa, na sequência de uma única operação que envolveu a venda de cerca de 862 mil ações, a 3,53 euros cada. Essa operação, realizada às 09:02, rendeu 3,05 milhões de euros e está a fazer os Correios de Portugal valorizar bastante na sessão desta quarta-feira, agora com cada título a cotar nos 3,655 €.

Os títulos dos CTT protagonizam, aliás, a maior valorização do PSI20, e essa transação representou 46% da média do volume negociado em bolsa dos últimos 20 dias. Mas isto acontece numa altura em que a empresa tem sofrido bastante pressão. A administração dos Correios anunciou, na semana passada, uma reestruturação que passará pela saída de 800 trabalhadores nos próximos anos, por cortes nos gastos com fornecimento e serviços externos e cortes nas remunerações da administração. A política de dividendos seguida até aqui não poderá continuar e os resultados que almejava não serão alcançados. 

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O que explica esta subida repentina em bolsa?

A escala das ações, na sequência daquela operação milionária, poderá estar relacionada com um reforço de um dos acionistas de referência. Como lembrou à TVI24 o analista Nuno Melo, da XTB, isto normalmente acontece quando há "quedas no mercado". No caso dos CTT, as ações atingiram um mínimo histórico muito recentemente, a 27 de novembro, nos 3,013 €.

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Fazendo uma retrospetiva do último ano, em março o maior acionista - o Grupo Gestmin, de Manuel de Mello Champalimaud -, reforçou a sua posição, passando a deter 10% dos CTT. Esse reforço - de aconteceu entre 10 e 13 de março e foi comunicado ao regulador de mercado, a CMVM, no dia seguinte. Em agosto, novo reforço, dessa vez para 10,46%, posição que a Gestmin detém atualmente. 

Os reforços de posições têm coincidido com a apresentação de planos estratégicos. Aquele que foi apresentado na semana passada prevê, inclusive, que João Bento, na representação de Manuel Champalimaud, esteja envolvido no comité que vai ser criado para monitorização da implementação para assegurar a implementação e fiscalização das medidas que vão reestrututar a empresa.

Esse comité será liderado pelo presidente do conselho de administração, Francisco Lacerda, e integrará mais quatro administradores não executivos: três independentes e, lá, está, o representante de Champalimaud.

Os Correios de Portugal já perderam quase metade (45%) da sua capitalização em bolsa desde o início do ano. Tem registado, mesmo, o pior desempenho entre as 18 cotadas do PSI-20.

O plano de reestruturação deu ainda maior fôlego à greve de dois dias que os trabalhadores fizeram às portas do Natal. Representantes dos funcionários foram ouvidos no parlamento e queixaram-se de "assédio moral" por parte da empresa, o que foi negado pelo seu presidente.