A sessão em bolsa desta terça-feira começou com nova razia no BCP, mas entretanto as ações do banco começaram finalmente a recuperar algum (embora ainda muito pouco) do valor perdido na última semana. Olhando para as percentagens, percebemos a dimensão de um filme cada vez mais impróprio para cardíacos: passou de quedas acima de 5% no arranque da sessão para ganhar quase 9%. Tudo isto em apenas duas horas.

Por volta das 11_35, os títulos disparavam 12% para 0,0248 euros, depois de ao início da manhã terem tocado o valor mais baixo de sempre, nos 0,0205 euros. 

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários decidiu ontem manter a proibição das vendas a descoberto até ao final do dia de quarta-feira, 8 de junho. É a terceira ação tomada por parte do regulador para conter aquela prática especulativa financeira, cujo  objetivo é tentar ganhar dinheiro em épocas de baixa cotação.

De pouco ou nada isso estava a valer ao início da manhã. Só na segunda-feira, as ações afundaram quase 8%Em apenas oito dias, o BCP perdeu 33% da sua capitalização, ou seja, 720 milhões de euros e desvalorizou mais de metade desde o início do ano.

O BPI até já superou o banco liderado por Nuno Amado em capitalização bolsista. No fecho de sessão de ontem, o BCP já só valia 1,42 mil milhões de euros. 

Veremos se esta inversão para terreno positivo vira mesmo tendência. Os analistas continuam a recear novos mínimos, com o fantasma do aumento de capital a pairar, também na sequência do interesse no Novo Banco, já para não falar da possível criação do banco mau. 

Bolsas em alta, Fed ajudou

A esta hora, o BCP também a ajudar o PSI20 a valorizar cerca de 0,8%. Lisboa acompanha, de resto, o sentimento positivo que prevalece em todas as praças europeias, depois do bom desempenho de Wall Street na sequência do relatório do emprego de sexta-feira e da intervenção da presidente da Reserva Federal norte-americana, que impulsionou também os mercados asiáticos.

A presidente da Fed, Janet Yellen, falou na segunda-feira com alguma prudência e aludindo à inquietação provocada na sexta-feira passda pela nítida diminuição do ritmo de criação de emprego em maio, defendendo que não se devia dar “muita importância” a dados mensais, sujeitos com frequência a revisões importantes e considerando como “globalmente positivo” o estado do mercado de trabalho dos EUA.

“Tenho boas razões para pensar que as forças positivas tendentes a um crescimento do emprego e a uma inflação mais alta vão continuar a superar as forças negativas”