O FMI está preocupado com a elevada dívida das empresas dos países emergentes, que mais que quadruplicou entre 2004 e 2014, recordando que, no passado, crises financeiras foram antecedidas por uma elevada alavancagem.

No Relatório de Estabilidade Financeira Global, hoje divulgado, a instituição refere que a dívida de empresas não financeiras de países emergentes - como são Brasil ou Indonésia - passou de 4 biliões em 2004 para mais de 18 biliões em 2014, para o que contribuiu a possibilidade de as empresas dos mercados emergentes conseguirem nos últimos anos emitir dívida a juros mais baixos e prazos mais alargados. O setor da construção foi o que registou maior crescimento do endividamento, que foi também elevado em outros setores mais sensíveis à evolução dos ciclos económicos.

Para o FMI, o comportamento das empresas dos países emergentes é uma fonte de preocupação uma vez que, lembra, “muitas crises financeiras nos mercados emergentes foram precedidas por um rápido aumento da alavancagem”.

A organização liderada por Christine Lagarde avisa ainda que essas empresas têm de se preparar para um piorar das condições financeiras globais, até pela normalização das condições nas economias avançadas, pelo que os investidores deverão voltar a apostar nestas.

Para evitar problemas no futuro, além de medidas para evitar a excessiva alavancagem, a instituição aconselha que sejam avaliadas de perto as empresas mais frágeis e de importância sistémica, assim como os bancos com que têm relações comerciais, já que podem ser prejudicados caso estas venham a ter problemas, como falências.