O lucro líquido ajustado da Galp Energia caiu 29% para 133 milhões de euros no segundo trimestre de 2016, penalizado pelas quedas do preço do petróleo no negócio 'upstream' - que engloba as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural - e da margem na refinação, mas ficou ligeiramente acima das estimativas, anunciou a empresa. Um resultado que fica acima das previsões feitas pelos analistas contatados pela Reuters.

Adiantando ainda que, entre abril e junho de 2016, o EBITDA - lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização - também ajustado, desceu um quarto face há um ano atrás para 337 milhões.

A Galp explicou, em comunicado, que a queda do EBITDA foi devido à menor contribuição dos negócios de Refinação & Distribuição (R&D) e de Exploração & Produção (E&P).

"Estes negócios foram impactados, respetivamente, pela descida das margens de refinação e do preço do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais," refere o comunicado.

Já o EBITDA do negócio de Gas & Power (G&P) teve um aumento de 10%, beneficiando da otimização do aprovisionamento na atividade de gás natural.

O preço do barril de Brent caiu de forma abrupta desde Junho de 2014, quando negociava perto dos 115 dólares, para perto de 43 dólares atualmente, pressionado por excesso de oferta no mercado.

Mesmo assim, verificou-se uma subida de 23% durante o segundo trimestre de 2016 face ao final do primeiro.

A Galp faz ainda notar que o preço médio de venda de petróleo e gás natural no segundo trimestre foi 38,3 dólares por barril, melhor que os 26,2 dólares no trimestre anterior, mas abaixo dos 53 dólares no período homólogo.

A empresa adiantou que a margem de refinação se situou em 4,6 dólares por barril, face aos 4,1 dólares no primeiro trimestre de 2016 e aos 7,3 dólares no período homólogo.

Brasil e Angola apostas de crescimento e investimento

A Galp tem participações em vários blocos de produção de petróleo no pré-sal do Brasil, que deverão ser um dos principais motores de crescimento e investimento nos próximos anos. A que acresce o 'offshore' angolano.

"O investimento no segundo trimestre de 2016 foi de 287 milhões, com o negócio de E&P a representar 85% do total," disse.

Do lado dos custos, os operacionais desceram 23% face ao segundo trimestre de 2015 para 2.929 milhões, devido ao decréscimo de 26% do custo das mercadorias vendidas, adiantou a energética.

A Galp salientou também que no segundo trimestre de 2016, a dívida líquida aumentou apenas 16 milhões para 2.483 milhões.

Para os seis meses do ano, o resultado líquido da empresa caiu 20% para 247 milhões de euros o comunicado divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

Os resultados surgem no mesmo dia em que a petrolífera anunciou que acordou vender 22,5% do negócio de infraestruturas de gás natural em Portugal a um consórcio liderado pela japonesa Marubeni, por 138 milhões, numa operação na qual vai encaixar perto de 700 milhões incluindo reembolsos de empréstimos.