A consultora Business Monitor Internacional considera num relatório sobre Angola que a descida no preço do petróleo «terá como efeito o aumento do custo de vida, o que vai alimentar o descontentamento popular e aumentar as tensões».

No relatório sobre o ambiente empresarial no primeiro trimestre deste ano (Angola Business Forecast), a que a Lusa teve acesso, a Business Monitor Interncional (BMI), uma consultora do grupo Fitch, considera que «o nascimento de uma nova era de preços do petróleo baixos representa um enorme desafio político e económico para Angola», uma vez que «apesar dos esforços do Executivo, o petróleo continua a representar a parte de leão das receitas do Governo e a maioria das exportações».

No relatório de 47 páginas, abrangendo o primeiro trimestre deste ano, relativo ao ambiente empresarial em Angola, a BMI afirma que «a expansão económica da última década, que se seguiu ao fim da guerra civil em 2002, não tem sido inclusiva», e lembra que «apesar de o país ser classificado como um país de rendimento médio-alto, está entre os piores classificados globalmente nos índices de desenvolvimento humano e desigualdade de rendimento».

Este ponto, aliás, serve para sustentar a previsão de que «no futuro, a queda das receitas tem o potencial para minar a capacidade do Governo de gastar dinheiro nos programas sociais e infraestruturais», encarados como «cruciais e politicamente sensíveis».

Angola, considera a BMI, é diferente de outros países africanos no que diz respeito à influência que a classe dominante tem relativamente ao resto da população, principalmente no que concerne ao controlo da oposição e da sua capacidade de criar eventos políticos como manifestações ou protestos.

«Apesar da perspetiva de corte nos subsídios públicos aos combustíveis, acreditamos que a decisão não deve ter um impacto negativo no perfil de risco político do país», o que representa «um enorme contraste face aos protestos que surgiram no Sudão em setembro de 2013».

A reação em Angola a essas notícias «foi muda, reforçando a ideia de que os segmentos mais ricos da população são os que mais beneficiam» desses subsídios.

Pelo contrário, um corte na despesa pública destinada a programas sociais e ao desenvolvimento da sociedade pode ter um efeito mais ruidoso entre a população: «Acreditamos que qualquer recuo na despesa do Governo na agenda de desenvolvimento social pode originar protestos, mas as autoridades parecem estar cientes disto», escrevem os analistas da BMI.

As notícias, argumentam, dão conta da intenção do Executivo permitir um aumento do défice público para compensar a manutenção da despesa social, o que, concluem, «pode ser sustentável a médio prazo através do aumento do financiamento através da dívida pública».