A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) afirmou esta quinta-feira que, em conjunto com os trabalhadores, «tudo irá fazer» para travar a subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris, admitindo recorrer aos tribunais.

«Os sindicatos, em representação dos trabalhadores e com os trabalhadores, tudo irão fazer, desde medidas judiciais, a ações de luta concretas e de denúncia desta situação para travar esta ofensiva», disse à agência Lusa Anabela Carvalheira, da Fectrans, poucas horas depois de o Governo anunciar que a subconcessão do Metro e da Carris deve acontecer até final de julho.

Para a dirigente sindical, o Governo «continua a fazer as escolhas erradas» e esta luta «é do interesse dos trabalhadores, mas também dos utentes» porque, defende, caso a subconcessão avance, vão ter «pior transporte público, mais caro e em piores condições».

Segundo a sindicalista, a subconcessão destes transportes de Lisboa só «interessa ao Governo e aos compromissos que tem com os grupos económicos».

Questionada se as ações judiciais podem passar por providências cautelares, Anabela Carvalheira frisou que ainda é «muito cedo para fazer essa análise» mas, se for imperativo a apresentação dessa ação, isso será feito, sempre em colaboração com os trabalhadores.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, anunciou esta quinta-feira, após a reunião do Conselho de Ministros, que a subconcessão das operações do Metro de Lisboa e da Carris deverá estar concluída até ao final de julho, no seguimento do concurso público internacional que vai ser entretanto lançado.

Os contratos a estabelecer com as empresas subconcessionárias preveem que estas vão ser obrigadas à renovação das frotas, nomeadamente na Carris, «quando estas atingirem uma determinada idade, por veículos de menor idade», indicou também Sérgio Silva Monteiro.

O Governo prevê uma poupança de 170 milhões de euros durante a vida dos contratos, que serão no máximo de «cerca de 10 anos«, tendo em conta o que irá ser pago às novas entidades subconcessionárias e os valores que têm sido pagos atualmente, sublinhou ainda. No Porto, com as novas subconcessões, essa poupança está já calculada em 153 milhões.