É talvez a empresa mais acarinhada e aquela com que os portugueses mais se identificam. E, também por isso, a privatização da TAP é o acontecimento nacional de 2015.
 
O processo arrancou ainda em 2014, para salvar a companhia mas, desde o primeiro momento, a oposição é contra, os sindicatos também. Há um ano, por esta mesma altura, a TAP estava em guerra.

Doze sindicatos marcaram uma greve de quatro dias entre o Natal e o Ano Novo. Viveram-se dias de negociação intensa. Mas na véspera de Natal, a greve acaba por ser desmarcada por 9 dos 12 sindicatos.
 
Em troca, o caderno de encargos garante que os trabalhadores não perdem direitos com a venda e que não há despedimentos coletivos. Mas a paz social dura pouco. Os pilotos exigem ficar com 20% do capital na privatização, o Governo não cede e estala uma nova guerra.
 
O Sindicato dos Pilotos marca uma greve de dez dias para o início de Maio. O Governo avisa que o futuro da companhia pode estar em risco, multiplica-se em apelos e a administração da TAP desdobra-se em ações de informação aos pilotos. A TAP fica dividida e apesar de o sindicato levar o braço de ferro até ao fim, muitos pilotos acabam por não aderir.

Foi uma das greves com menor adesão de sempre, mas a TAP ainda perdeu 35 milhões de euros e, pelo meio, alguns dos interessados na privatização foram desistindo, como a espanhola Globalia ou a brasileira GOL. A 15 de maio, só três entram na corrida: Miguel Pais do Amaral, Germán Efromovich e o consórcio Gateway, de Neeleman e Pedrosa.
 
A 11 junho de 2015, está escolhido o vencedor. A oposição protesta e o PS avisa desde logo que espera conseguir reverter o processo. Mesmo assim, contra tudo e contra todos, o contrato é assinado com pompa e circunstância, a 24 de julho.
 
O contrato final fica para 12 novembro, sem o mesmo glamour, à porta fechada, altas horas da noite. Pelo meio, tinha havido eleições, todos sabiam que a coligação de direita governava a prazo e que o negócio era fechado contra a vontade da esquerda.

No dia seguinte 150 milhões de euros entram na TAP, novos aviões começam a ser encomendados, investimentos começam a ser feitos.

Mas o PS quer que a maioria do capital regresse às mãos do estado e agora que é Governo, vai fazer por isso. António Costa já avisou que a TAP voltará a ser pública, com ou sem acordo com os novos acionistas.

No final do ano como no início, o futuro da TAP continua em aberto.