Os salários dos trabalhadores do setor privado vão baixar a partir de janeiro, em resultado do fim dos duodécimos. Para quem até aqui optava por receber os subsídios dividos em dois, as férias e natal vão voltar a ser o que eram. Mas claro que não há subsídios grátis e o preço é que no fim de cada mês o rendimento encolhe um pouco.

A descida do vencimento mensal pode, em alguns casos, ir até aos 90 euros. E isso poderá ter um impacto negativo para a gestão do orçamento familiar. É mais fácil, para muitas famílias, ir gerindo o dinheiro dos subsídios pelos duodécimos, do que recebê-los por inteiro em dois momentos do ano.

Claro que o que não se recebe mensalmente, vai ser recuperado na altura de receber os subsídios. “É um tema de quando e não de quanto. As pessoas recebem exatamente o mesmo. A questão é saber quando é que recebem esse montante: se ao longo do ano ou se cristalizado em dois momentos do ano: normalmente no verão e na altura do Natal”, como explica o fiscalista da Deloitte Luís Leon.

As simulações

De acordo com as simulações da Deloitte para a TVI24, com base nas tabelas de retenção deste ano, as perdas vão crescendo à medida que se aumenta o salário.

Salário  Sem duodécimos
580 € (proposta do Governo para atualização do salário mínimo em 2018) - 40 €/mês
830 € - 65 €/mês
1.500 € - 90 €/mês

A divisão dos subsídios de férias e de Natal pelos 12 meses entrou em vigor em 2013, para compensar o "enorme aumento de impostos". O problema é que o IRS ainda não baixou ao nível a que estava antes do ministro das Finanças Vítor Gaspar. Mesmo o fim da sobretaxa, este ano, não chega para compensar o que se perdeu. 

Há um outro efeito possível: a redução da alavanca do consumo, um das mais relevantes para o atual crescimento da economia.

Tesouraria das empresas complica-se

Para a máquina fiscal, a receita é a mesma durante o ano, porque o pagamento em duodécimos "não tem nenhuma alteração na taxa de imposto que é paga", explicou ainda o fiscalista Luís Leon.

Para a tesouraria das empresas, é que a situação se complica. "Antes tinham um grau de esforço prolongado ao longo do ano e vão voltar a ter aquilo que historicamente sempre tiveram, em que em dois meses no ano, têm de fazer o pagamento na íntegra, o que vai levar à necessidade de tesouraria extra".