As organizações representativas dos trabalhadores da STCP estão preocupadas com o modelo de gestão pretendido para a empresa, salientando a “inapetência” das autarquias “para desenvolverem uma atividade para a qual nunca estiveram nem estão habilitadas”.

Em comunicado, sindicatos do setor e Comissão de Trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) sublinham que “pretendem ser envolvidos na discussão ou análise do eventual processo de intermunicipalização, por forma a verem salvaguardadas as suas naturais preocupações”.

Depois da reversão do processo de subconcessão da empresa, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, disse pretender entregar a gestão da operadora de transporte público às seis autarquias servidas (Porto, Maia, Matosinhos, Gondomar, Valongo e Gaia) pelos autocarros.

Matos Fernandes adiantou esta segunda-feira pretender que a partir de 01 de janeiro de 2017 a gestão da STCP seja feita pelas autarquias, mantendo-se nas mãos do Estado a posse da empresa.

As Organizações Representativas dos Trabalhadores (ORT) repudiam desde já “qualquer situação que passe pelo risco de ver reduzido e espartilhado o serviço prestado pela STCP, em favor dos operadores privados instalados nos respetivos concelhos” e alertam para a “débil situação financeira das autarquias”, que dizem ser "do domínio público".

O coordenador da área dos transportes na Área Metropolitana do Porto, Marco Martins, já garantiu que “não há qualquer risco para os trabalhadores” da STCP, porque apenas está em causa a gestão e não a posse da empresa.

O autarca de Gondomar disse que “não haverá prejuízo para os trabalhadores e sobretudo para as populações”.

No comunicado, as ORT manifestam também “indignação” pelo facto de os trabalhadores “não verem repostos os seus salários e direitos” no Orçamento do Estado para 2016.

Apelam ao PS, BE, PCP e Verdes para que, no âmbito da discussão do OE na especialidade, promovam “as alterações necessárias para que as normas que congelam as atualizações previstas nos acordos de Empresa sejam definitivamente eliminadas”.

Alegando que os partidos de esquerda “sustentam o Governo”, entendem que BE, PCP e Verdes têm “a obrigação de olhar para este problema de forma séria e responsável”.

“É entendimento das ORT que representam os trabalhadores da STCP que só desta forma será possível manter-se na empresa uma paz social profícua e duradoura”, concluem.