A assembleia-geral do BPI foi suspensa por 45 dias devido a uma providência cautelar, segundo apurou a TVI. Em causa o fato de, para já, não haver entendimento possível entre os acionistas que permita considerar os estatutos desblindados para dar seguimento ao processo de Oferta Pública de Aquisição (OPA). Ou fechá-lo de vez.

"A AG foi suspensa na sequência do acionista Violas Ferreira ter apresentado uma providência cautelar, que invocando questões de direito, o que prejudicou a votação da proposta de desblindagem do Conselho de Administração (CA)," disse um acionista, citado pela Reuters.

Artur Santos Silva, 'chairman' do BPI, lamentou "muito esta situação (da suspensão), por esta razão da ata não estar formalmente aprovada em CA, que é difícil de compreender. Na terça-feira este problema desaparece porque, espero, na próxima terça-feira essa ata seja aprovada", disse Santos Silva, referindo que quem propôs então a suspensão da AG foi o CaixaBank.

Na reunião magna de acionistas, que teve início cerca das 11:30 da manhã, estavam duas propostas à votação em cima da mesa. Divergências entre os detentores do capital terão travado o processo.

A proposta apresentada pelo acionista Violas Ferreira Financial, aliado da Santoro de Isabel dos Santos, e o maior acionistas português do banco, a favor da manutenção da blindagem dos estatutos. E uma segunda proposta apresentada pelo conselho de administração do banco, favorável à desblindagem.

Ou seja, a primeira proposta travava o fim da blidagem e impedia que continuasse o processo da OPA do acionista da Catalunha.  A segunda proposta a favor da desblindagem, sendo apresentada pela administração do BPI, e no âmbito da nova lei, que entrou em vigor a 1 de julho, podia ser votada sem que o limite de votos atual se aplicasse.

Interpretações diferentes da mesma realidade que podem acabar em tribunal mas para já suspende a reunião.

Atualmente, os acionistas do BPI não podem votar com mais de 20% dos direitos de voto. Ou seja, mesmo com cerca de 45%, o CaixaBank só pode votar com 20%.

A oferta do CaixaBank foi lançada a 1,113 euros por título. Sem a desblindagem a instituição na pode proceder ao registo da operação na CMVM.

Assembleia-geral sobre desblindagem de estatutos marcada para 6 de setembro

O BPI anunciou esta sexta-feira que a assembleia-geral que vai deliberar sobre a desblindagem de estatutos está marcada para 6 de setembro, depois de a reunião desta manhã ter sido suspensa por 45 dias.

"O Banco BPI informa ter-se realizado hoje no Porto, com início às 11:30, uma reunião da assembleia-geral de acionistas, na qual estiveram presentes ou representados 463 acionistas, detentores de ações correspondentes a 87,57% do capital social", adiantou a instituição, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"O representante do acionista Violas Ferreira Financial, S.A. informou a mesa da assembleia-geral ter sido decretada uma providência cautelar no sentido de não poder ser apreciada e votada a proposta de alteração de estatutos apresentada pelo Conselho de Administração", prosseguiu.

Entretanto, a  Comissão do Mercado de Valores Mobiliários já tinha decidido suspender a negociação das ações do BPI, antes do início da negociação em bolsa esta manhã.

Em comunicado o regulador do mercado referiu que o conselho de administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários deliberou "nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários, a suspensão da negociação das ações do Banco BPI, S.A., até à divulgação de informação relevante sobre o emitente".

Ao início da tarde, a CMVM comunicou o levantamento da suspensão das negociações das ações do banco.