As vendas brutas dos Jogos Sociais do Estado (JSE) aumentaram 5% em 2014, para 1,88 mil milhões de euros, face ao ano anterior, representando o melhor resultado de sempre.

Segundo os dados hoje disponibilizados pelo Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no âmbito da apresentação do Relatório e Contas de 2014, ao todo, foram atribuídos 166 milhões de prémios, correspondentes a mais de mil milhões de euros, o que representa uma subida de 6% face a 2013.

O destaque recai sobre o Euromilhões que representou quase metade do total das vendas (49%), «sendo o jogo preferido por 64% dos portugueses maiores de 18 anos», responsáveis por vendas brutas de 917 milhões de euros, logo seguido pela Raspadinha, que cresceu 20%, representando 38% do total das vendas e vendas brutas de 700 milhões de euros.

Transversal a todas as classes sociais, como destaca o Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Raspadinha «é o principal instrumento de captação da procura de jogo a dinheiro», com 44% dos portugueses a apostarem no ano passado.

Em terceiro lugar ficou o Totoloto, correspondente a vendas brutas de 126 milhões de euros e 7% do total, depois a Lotaria Clássica, num valor de 51 milhões de euros e representando 3% das vendas, e o Joker que atingiu os 39 milhões de euros em vendas brutas e 2% das vendas.

Em último lugar ficaram a Lotaria Popular e o Totobola, cujas vendas brutas representaram 26 milhões de euros (2% das vendas) e 10 milhões de euros (1% das vendas), respetivamente.

Em 2014, 76% da população portuguesa adulta apostou nos Jogos Santa Casa, o que levou a base de apostadores a crescer 20% nos últimos dois anos, passando de 5,2 milhões para 6,5 milhões de portugueses com idade igual ou superior a 18 anos.

Estes números foram alcançados apesar do «difícil contexto socioeconómico que o país ainda atravessa», da «visível contração dos orçamentos familiares, que se refletiu, também, no rendimento disponível para o entretenimento», diz o Departamento de Jogos da Santa Casa, divulgando que o valor médio de aposta semanal teve uma redução de cerca de 13%, entre 2012 e 2014.

O administrador executivo do Departamento de Jogos e vice provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Fernando Paes Afonso, destacou que o alargamento da base de apostadores foi alcançado graças ao combate ao jogo ilegal, associado a uma oferta de jogos renovada, expansão e modernização da rede comercial, como novos terminais de jogo nos pontos de venda e o reforço da comunicação com o apostador.

O gasto médio por semana em Jogos Santa Casa situou-se nos 6,1 euros e o gasto médio por ato de aposta nos 5 euros.

Do valor total apostado em 2014, 97% foi devolvido à sociedade, num valor global de 1,818 mil milhões de euros, relativos a prémios para apostadores, remunerações pagas a mediadores, receitas fiscais por via do Imposto do Selo, financiamento de Boas Causas, patrocínios e investimentos efetuados na promoção da legalidade e do jogo responsável.

Dos resultados de exploração dos Jogos Santa Casa, 537 milhões de euros foram para "Boas Causas", dos quais 535 milhões foram distribuídos pela lista de beneficiários dos JSE pelas seguintes percentagens: 63% para ação social (339 milhões de euros), 16% para saúde (86 milhões de euros), 12% para desporto (62 milhões de euros), 5% para cultura (25 milhões de euros), 3% para proteção civil (15 milhões de euros) e 2% para outras (2,4 milhões de euros foram para patrocínio de ações ligadas aos desporto e à cultura).

O valor gerado a favor do Estado pelo Imposto do Selo ficou nos 145 milhões de euros e as remunerações pagas pelos apostadores aos mediadores dos JSE foram de quase 134 milhões de euros.

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e Fernando Paes Afonso adiantaram ainda em conferência de imprensa, que o Departamento de Jogos vai mudar para a nova sede na Avenida da Liberdade a 11 de maio.