O regulador do mercado optou por suspender a negociação das ações do BPI, "até divulgação de informação revelante sobre o emitente". 

Este tem sido um procedimento normal da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) em dias de assembleia-geral do banco que, neste caso em concreto, já vai na segunda sequela. 

A reunião magna acionistas do banco decorre esta quarta-feira e deve ser determinante para o futuro do mesmo. Já que há sinais concretos de que os opositores há oferta do acionista CaixaBank vão aceitar a desblindagem de estatutos, fundamental para que a oferta avance.

O CaixaBank lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) a 1,113 euros por ação, mas será preciso desblindar os estatutos para pôr fim ao limite de votos de 20% - mesmo que um acionista tenha mais capital só vota com este limite.

Depois em entrevista de Tiago Violas Ferreira, administrador do grupo Violas, que através da Violas Ferreira detém quase 3% do capital do banco, ter assumido que não continuariam a bloquear o processo em prol do futuro do banco, ontem foi a vez de a administração dar mais um passo para desbloquear a situação. 

Em comunicado, a administração do BPI comunicou que enviou para Luanda uma proposta que permite resolver o impasse da desblindagem de estatutos e o problema da exposição excessiva a Angola. O BPI propõe ceder controlo do BFA - Banco Fomento de Angola a Isabel dos Santos em troca da desblindagem de estatutos.

Atualmente, o BPI detém 50,1% do capital do BFA, enquanto a Unitel é dona de 49,9%. Com esta proposta o BPI quer resolver, de uma vez por todas, a exposição do BPI ao risco em Angola. Uma exposição que tem sido alvo de "puxões de orelhas" do Banco Central Europeu (BCE) que quer que o banco português não ultrapasse os níveis de exposição impostos por Bruxelas.

O CaixaBank detém quase 45% do BPI e a Santoro, de Isabel do Santos, aproxima-se dos 19%, sendo os dois maiores acionistas do banco.