O inspetor-geral do Trabalho, Pedro Braz, admitiu esta quarta-feira que é necessária uma «resposta política» para combater as redes «pouco claras» de contratação de trabalhadores para o estrangeiro, sublinhando a necessidade de mais fiscalização, mais prevenção e mais meios.

«É um assunto muito grave, que carece de uma resposta política, com mais fiscalização, mais prevenção, mais informação e, com toda a certeza, mais meios», afirmou Pedro Braz.

Segundo o responsável, existe por todo o país um conjunto de redes de contratação de trabalhadores «pouco claras», cuja atuação chega a «roçar o crime».

«É um problema que nos preocupa sobremaneira», acrescentou, lembrando que a atuação daquelas redes ganha particular acuidade e dimensão com «os tempos de crise» que o país atravessa.

Pedro Braz garantiu que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) «tudo fará para minimizar o problema», mas alertou que um combate mais eficaz passa por «respostas articuladas», que envolvam várias outras entidades, como autarquias e sindicatos.

O responsável falava em Braga, à margem da assinatura de um protocolo de cooperação entre a Câmara local e a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) para reforçar a informação e o apoio aos trabalhadores migrantes e com capacidade de trabalho reduzida.

O inspetor-geral do Trabalho disse que estes protocolos são também uma forma de combater a contratação irregular, mas vincou que os trabalhadores também têm uma palavra «muito importante» nesse combate.

«É muito importante que nenhum cidadão vá trabalhar para o estrangeiro, por muito estruturada que seja a empresa, sem primeiro falar connosco (ACT)», apelou.

Na terça-feira, o Sindicato da Construção denunciou a escalada de situações de «escravatura» de trabalhadores portugueses do setor, quer em Portugal, onde recebem 300 euros mensais, quer no estrangeiro, para onde são levados por «angariadores» e «redes mafiosas».

Em conferência de imprensa no Porto, o presidente do sindicato, Albano Ribeiro, apontou Braga como «a capital das redes mafiosas e dos angariadores de mão-de-obra».

«Que eu saiba, Braga é a capital do barroco», respondeu hoje o inspetor-geral do Trabalho, para vincar que não dispõe de dados sobre a distribuição territorial dessas redes e que o problema se regista «no país todo».