O Governo decidiu, esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, afastar o consórcio de Miguel Pais do Amaral das negociações  à compra da TAP e continuar a negociar com Germán Efromovich e David Neeleman.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, afirmou na habitual conferência de imprensa do Conselho de Ministros que o relatório da Parpública decidiu afastar a proposta da Quifel, de Pais do Amaral, "por não cumprir um dos requisitos do caderno de encargos" ao não ser vinculativa.

"O relatório [da Parpública] conclui que se deveria considerar a proposta apresentada pela Quifel como não cumprindo os requisitos mínimos legais considerados adequados no caderno de encargos", disse o governante.

Sérgio Monteiro recusou-se ainda a pronunciar-se sobre os valores a encaixar pelo Estado com cada proposta: "Divulgar esse aspeto era prejudicial para o interesse público. A reserva do processo negocial é muito importante nesta fase", o que não quer dizer "falta de transparência".

Prosseguem, assim, as negociações com os outros dois consórcios, a Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, e a Sagef, de Germán Efromovich, cujas propostas "são de mérito equivalente", segundo Sérgio Monteiro.

O responsável governamental adiantou ainda que, apesar de uma providência cautelar para parar a privatização da companhia aérea, "os prazos estão a ser cumpridos", esperando que o processo esteja terminado antes de 30 de junho, conforme o prometido pelo executivo.

O Conselho de Ministros decidiu mandatar os secretários de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Tesouro, Isabel Castelo Branco, para avançar com as negociações junto dos outros dois consórcios, sempre com a Parpública incluída.

A administração da TAP, liderada por Fernando Pinto, pronunciou-se na quarta-feira sobre o plano estratégico dos três candidatos, agora reduzido a dois, entregando as suas opiniões à Parpública, detentora da TAP em representação do Estado.
 

As três propostas



A proposta de Germán Efromovich, dono da operadora aérea Avianca e do grupo Synergy, inclui a entrega de 12 novos aviões Airbus após a transferência das ações da companhia e a renovação da frota da Portugália com aviões Embraer até 2016, sendo que o empresário propõe recapitalizar a empresa em 250 milhões de euros, segundo informações avançadas pela imprensa.

David Neeleman, patrão da companhia aérea brasileira Azul e que está em parceria com Humberto Pedrosa, do grupo Barraqueiro, promete reforçar a TAP com 53 novos aviões e investir 350 milhões de euros.

Já Miguel Pais do Amaral, através da Quifel, prometia manter a estratégia da administração de Fernando Pinto, com a compra dos 12 Airbus 350 já encomendados pela TAP e uma injeção de capital de 325 milhões de euros.
 

Pilotos reunidos


Os pilotos da TAP e da Portugália estão reunidos desde as 15:00, em Lisboa, numa iniciativa promovida pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), com a situação atual das companhias aéreas e a privatização do grupo na agenda. 

Contactada pela Lusa, fonte oficial do SPAC desvalorizou o encontro, adiantando que “é uma reunião informal para conversar”.