O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, disse esta sexta-feira em conferência de imprensa que o acordo com o Eurogrupo para uma extensão por quatro meses do programa de ajuda financeira à Grécia foi um «primeiro passo» que vai permitir acabar com o memorando.

«A Grécia termina com o memorando e torna-se coautora das suas reformas e do seu destino».

Yanis Varoufakis mostrou-se muito satisfeito com o acordo alcançado esta tarde e afirmou que o maior desafio do seu governo «é corrigir as maleitas da Grécia».

O governante diz que « o sistema financeiro está seguro» e diz acreditar que a decisão de hoje vai levar a uma recuperação das ações dos bancos. Desta forma, os depositantes «vão acreditar» que a Grécia está a colaborar com os parceiros europeus.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, anunciou que a reunião de hoje dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas, permitiu chegar a um acordo sobre o prolongamento da assistência financeira à Grécia.

Dijsselbloem precisou que a assistência foi prolongada por quatro meses, embora o pedido de Atenas fosse de seis meses, e, em contrapartida, as autoridades gregas comprometeram-se a conduzir uma série de reformas, em linha com as condições previstas no atual programa, tendo que apresentar já na próxima segunda-feira uma lista com medidas.

«Vamos apresentar uma lista de reformas que queremos fazer nos próximos quatro meses. As instituições dão a sua opinião segunda ou terça-feira», afirmou o ministro grego.

Segundo Varoufakis, no final dos quatro meses o Governo grego será julgado sobre a implementação daquelas reformas.

O ministro grego disse segunda-feira que a lista a apresentar não vai incluir reformas nas pensões e no mercado de trabalho, mas formas de combate à impunidade e a evasão fiscal.

«O nosso compromisso é aumentar o salário mínimo (…) para aumentar a competitividade», afirmou.

Questionado sobre eventuais reservas manifestadas por Espanha e Portugal em relação ao acordo, o ministro grego disse que têm uma motivação política, mas evitou entrar em detalhes, porque, disse, quer ter uma excelente relação com aqueles dois países.

«Existe uma coisa chamada bons modelos, a Espanha e Portugal são nossos parceiros, mas têm as suas próprias prerrogativas políticas e é claro que as suas reservas são motivadas por essa prerrogativas e respeito», disse.

Varoufakis recordou também que Espanha e Portugal deram uma quantidade significativa de dinheiro à Grécia.

Por seu turno, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a instituição vai acompanhar as condições exigidas à Grécia, afirmando que até ao final de abril tem de haver um acordo final sobre as reformas a tomar.

O acordo de hoje foi alcançado depois de uma tarde de intensas negociações e depois de duas tentativas falhadas este mês.