O empresário Sousa Cintra garante que a Portfuel cumpre todos os requisitos para a prospeção e exploração de petróleo em Aljezur e Tavira, desde os estudos de impacto ambiental à capacidade técnica da equipa e financeira da empresa.

"Estamos completamente tranquilos, porque cumprimos tudo e com rigor. Fizemos tudo de acordo com o rigor do contrato que assinámos com o Estado português", disse à Lusa Sousa Cintra, considerando "muito estranho as manifestações" contra a empresa que criou em 2013 para concorrer às concessões de gás natural e petróleo, o que veio a acontecer em outubro de 2014.

Em declarações à Lusa, Sousa Cintra criticou as "falsidades" que têm sido ditas sobre a empresa, considerando estar a ser alvo de um ataque pessoal, uma vez que existem outras empresas e consórcios a fazer os estudos que a Portfuel está a fazer sem terem a mesma "cobertura infeliz".

"Têm sido levantadas uma série de questões sem fundamento e só se fala da empresa Portfuel. A maior parte da contestação tem sido contra José Sousa Cintra. Como é que se levantam essas falsidades", questiona, referindo a coragem necessária para investir em Portugal.

Aos que falam dos riscos para o ambiente e para o turismo do Algarve, Sousa Cintra lembra que "no mundo inteiro onde há mais turismo há petróleo – Brasil, Miami, Dubai e México, para dar alguns exemplos", realçando que a empresa apenas está a estudar o terreno, um investimento que fica para o "arquivo" do Estado.

"Ficava feliz da vida se Portugal tivesse petróleo para resolver o problema das importações. Mexia com a nossa economia, mexia com tudo. Seria bom para todos", declarou o empresário.

Desde a assinatura do contrato para a prospeção e pesquisa de petróleo, a 25 de setembro de 2015, a Portfuel já realizou os estudos geológicos e geofísicos em Aljezur, tendo entregado os resultados no final de março à Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC), organismo que representa o Estado.

Em meados de agosto, os mesmos estudos serão realizados na concessão de Tavira e até ao final do ano ficarão concluídos os geológicos, num investimento de cerca de 60.000 euros.

Em 2017, serão recolhidos os dados sísmicos e só no ano seguinte começam a ser realizadas as sondagens de pesquisa.

Ao longo dos oito anos dos contratos de concessão, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo nas áreas designadas por Aljezur e Tavira, publicados na página da ENMC, o investimento previsto nas duas concessões é superior a quatro milhões de euros.

Sousa Cintra explicou que foram dadas as garantias bancárias exigidas para atestar a capacidade financeira da empresa, que não pode ter resultados positivos, uma vez que desde a sua constituição só tem investido sem gerar receitas.

Além das sete pessoas com contrato de trabalho com a Portfuel, a empresa tem parcerias com universidades portuguesas e espanholas.

A prospeção e exploração de gás natural e petróleo no Algarve tem suscitado a contestação de autarcas, empresários, associações ambientalistas e de defesa do património, que criticam o Estado por ter assinado contratos com consórcios para estes projetos sem informar população e decisores locais e sem realizar estudos de impacto ambiental.

Em fase mais adiantada, também no Algarve, encontra-se a prospeção do consórcio Partex/Repsol, que pretende avançar com a perfuração do primeiro poço, a cerca de 40 a 50 quilómetros da costa, em frente a Faro, em outubro.