O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT deu até ao final do ano para que a Altice esclareça por escrito questões sobre a PT Portugal, admitindo não se opor à proposta de venda se a resposta for «objetiva e positiva».

Mais de 20 representantes de organizações sindicais e da Comissão de Trabalhadores foram hoje recebidos durante mais de duas horas pelo grupo francês Altice, nomeadamente o seu presidente executivo Dexter Goei, e Armando Pereira, co-fundador português da Altice.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT, Jorge Félix, explicou que entregou à Altice um documento com uma série de questões, nomeadamente sobre o projeto para a PT Portugal e os direitos dos trabalhadores, tendo estabelecido a obrigatoriedade de uma resposta por escrito até ao final do ano, antes da assembleia-geral de acionistas de 12 de janeiro.

«Se responderem de forma objetiva, positiva e dentro deste prazo, admitimos não apresentar qualquer proposta que contrarie a alienação da PT Portugal à Altice. Mas terão de responder nestes 12 dias, se assim não for e se não houver uma resposta objetiva, vamos claramente propor aos acionistas para vetar [o negócio]. Por isso, depende da resposta», disse Jorge Félix.

O responsável da Comissão de Trabalhadores Francisco Gonçalves, que também esteve presente na reunião, sublinhou a necessidade de existência de um compromisso por escrito, mas através de um acordo parassocial realizado com aquele que venha a ser o futuro dono da PT Portugal e que respeite o modelo social, os postos de trabalho e contemple um projeto industrial duradouro e não um projeto financeiro.

O projeto da Altice para a PT Portugal, a salvaguarda dos postos de trabalho, o investimento na empresa, assim como o percurso da própria Altice e o seu interesse em Portugal foram alguns dos temas abordados na reunião, a par da parceria com os CTT e o futuro do Data Center da Covilhã.

Sobre a forma como correu a reunião, Francisco Gonçalves disse que «mais do que palavras, as ações agora é que são importantes».

Já fonte da Altice, contactada pela Lusa, disse que a reunião «foi muito interessante e a discussão muito construtiva, concreta e totalmente livre, com muito bom ambiente».

«Explicámos que a Altice está em Portugal para ficar, para investir e para ser o número 1 do mercado, tendo um projeto de longo prazo», disse.

Além disso, sublinhou que a ambição da Altice «só terá sucesso se todos, gestão, trabalhadores e acionistas, trabalharem em conjunto».

«É um projeto para todos nós», reforçou, acrescentando que a Altice vai trabalhar para dar as respostas ao documento entregue pelo STPT.

Na reunião estiveram presentes responsáveis de vários sindicatos, como o STPT, Sintav (Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual), o Sindetelco (Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Média), o Sindicato dos Engenheiros, o Sinquadros, o SNTCT (Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações), o Sincomp (Sindicato das Comunicações de Portugal) e o Tensiq (Sindicato Nacional de Quadros das Telecomunicações).

Os representantes dos trabalhadores e os sindicatos já tinham sido recebidos no início do mês pela Terra Peregrin, empresa detida pela empresária angolana Isabel dos Santos, para abordar a sua OPA lançada sobre a PT SGPS.

A CMVM anunciou na quarta-feira que a empresária angolana Isabel dos Santos teria de subir o preço da oferta sobre a PT SGPS para ficar dispensada de lançar uma OPA subsequente, na sequência de um requerimento da Terra Peregrin.

A 04 de dezembro, o administrador da Terra Peregrin, Mário Silva, tinha afirmado que a empresa não iria mexer no preço da OPA, que é de 1,35 euros por ação.

A 09 de novembro, a Terra Peregrin anunciou a sua intenção de comprar a PT SGPS, oferecendo mais de 1,21 mil milhões de euros pela totalidade das ações da empresa portuguesa, ao preço de 1,35 euros por ação.

A oferta é destinada a 100% do capital da PT SGPS, a qual detém 25,6% da operadora brasileira Oi, enquanto esta detém 10% da PT SGPS.