O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, disse esta segunda-feira em conferência de imprensa, após a reunião do Eurogrupo, que espera um «acordo rápido» e diz não ter dúvidas de que as conversações «vão continuar».

Varoufakis está mesmo confiante de que um acordo seja alcançado nas próximas horas.

«Não tenho dúvidas de que dentro das próximas 48 horas a Europa será capaz de apresentar para começarmos o verdadeiro trabalho e estabelecer um novo contrato para a Grécia».


O governante grego reitera que a Grécia quer cumprir os compromissos assumidos com a Europa e com os credores, mas que a sua única condição é a de que os parceiros europeus «não imponham medidas recessivas», tais como «cortes nas pensões, subida do IVA ou despedimento de funcionários públicos».

Varoufakis mostra-se então disponível para ceder, mas apenas em alguns pontos. Admite que em cima da mesa está a possibilidade de extensão do programa de resgate, mas por apenas quatro meses, tal como tinha sido falado com o responsável dos Assuntos Económicos, Pierra Mocovici. Este segunda-feira não houve acordo porque o documento apresentado não tinha sido o acordado na passada quarta-feira.

O responsável reiterou ainda vontade em encontrar com os parceiros da zona euro um acordo que garanta uma «solução honrosa» para todos, mas alertou para os perigos dos ultimatos.

«Na história da UE nada de bom surgiu com um ultimato».


Esta tarde, logo após o final da reunião dos ministros das Finanças da zona euro, o presidente do Eurogrupo sublinhou que  «o próximo passo terá que ser dado pela Grécia» . 

Jeroen Dijsselbloem deixou claro que a proposta dos parceiros europeus para uma solução para Atenas passa pela extensão do atual programa para depois o flexibilizar. 

A Grécia terá que ceder.

«Está agora na mão dos gregos saber se querem continuar as discussões, mas também estar cientes quanto á natureza dos compromissos que a Grécia terá que cumprir», declarou o responsável aos jornalistas.

«O próximo passo terá que ser dado pelos gregos. Se querem ou não um programa de extensão. E em termos de prazos temo esta semana e é tudo».


Segundo o presidente do Eurogrupo, o pedido de extensão do programa permitiria à Grécia «apresentar medidas alternativas» sem «dar passos unilaterais». 

O Presidente do Eurogrupo defende ainda que o acordo tem de ser alcançado esta semana e admite que «talvez» haja uma nova reunião na próxima sexta-feira. 

Na mesma linha, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse que  o melhor seria prosseguir discussões com a Grécia quanto a «uma extensão do programa».

Reunião dos ministros das Finanças volta a terminar sem acordo

A reunião do Eurogrupo desta segunda-feira voltou a terminar sem um acordo para a Grécia. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, tentou um entendimento com os parceiros europeus, mas não passou disso mesmo, de uma tentativa.  

Uma tentativa que já se adivinhava falhada, uma vez que horas antes do encontro muitas eram as vozes de ceticismo em relação ao encontro. O ministro das Finanças alemão já se tinha mostrado «muito cético» sobre a possibilidade de se chegar a um acordo com a Grécia na reunião desta segunda-feira e lamentou mesmo que os gregos tenham eleito um governo que se comporta de maneira irresponsável». 

A reunião desta sexta-feira era aguardada com grande expetativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido para o governo grego apresentarem as suas posições, rejeitando o programa com os credores internacionais que ainda se encontra a decorrer.   

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as principais instituições, trabalhos que decorreram durante o fim de semana.   

Note-se que um entendimento é urgente, em virtude de o atual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de fevereiro.

Saiba aqui tudo o que se passou na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira.