O ministro Vieira da Silva espera que "todas as partes envolvidas estejam conscientes do que está em causa" na fabricante alemã de carros, que opera em Palmela, perto de Setúbal, a mãos com um conflito entre trabalhadores e administração por causa das alterações ao trabalho que a produção do novo modelo T-Roc.

Em declarações aos jornalistas, o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social fez questão de frisar que " a Autoeuropa está numa fase de desenvolvimento. Está a produzir um novo veículo, que pretende que seja produzido apenas em Portugal. Isso é extremamente importante. São milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos que estão a ser criados e vão ser criados no futuro."

Tenho a certeza, pelos contatos que tenho tido, que todos estão interessados que isso seja uma realidade. Mas é esse futuro que está a ser discutido e, mais do que temer, isto ou aquilo, pretendo ajudar com uma palavra, mas também com a disponibilidade do Ministério do Trabalho, através dos seus serviços, que são muitas vezes chamados para ajudar a mediação e conflitos laborais", acrescentou.

Para Vieira da Silva há dois objetivos que têm que ser atingidos: retomar uma estrutura de diálogo social estabilizado na Autoeuropa. E que esse diálogo social "seja uma ferramenta fundamental para o futuro da empresa que é muito importante para o país."

A administração da construtora comunicou ontem os novos horários aos trabalhadores, a partir de janeiro. Os novos horários de produção implicam o trabalho ao sábado, pago com um prémio adicional de 100%. Uma decisão unilateral, que já contou com o repúdio dos sindicatos, que agendaram plenários para 20 de dezembro.

Cristas desafia Governo a “chamar à razão” PCP e BE

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, desafiou hoje o Governo a "chamar à razão" PCP e BE, que diz estarem "por detrás da teia de dificuldade" nas negociações entre trabalhadores e administração da Autoeuropa.

O Governo, que além do mais se senta à mesa das negociações com os seus parceiros - PCP e BE -, já devia ter falado, desde logo com estes partidos, que estão por detrás da teia de dificuldade que está montada na Autoeuropa, e já os devia ter chamado à razão", afirmou Assunção Cristas

A líder centrista falava aos jornalistas sobre a situação na fábrica Autoeuropa, no final de uma visita a um bairro municipal de Lisboa.