Está tudo preparado para uma intervenção no Banif - Banco Internacional do Funchal caso não se encontre um novo acionista durante esta semana. A TVI apurou que a ideia passa por uma resolução semelhante à do BES, isto é, que separe a parte boa, os ativos saudáveis, da má, os ativos tóxicos. O Governo estuda ainda a hipótese de, neste quadro de resolução, os ativos saudáveis passarem para a Caixa Geral de Depósitos. O Executivo de António Costa já reagiu, em comunicado, sublinhando que acompanha de perto a situação.

Segundo a TVI apurou, todos os depósitos estão salvaguardados, mesmo acima dos 100.000 euros. Já quanto aos acionistas, um cenário de resolução implica perdas.

Entretanto, o banco, em comunicado, desmentiu qualquer resolução, ao mesmo tempo que o Ministério das Finanças garante que o processo de venda do banco está em curso.

O capital do Estado no Banif decorre de uma intervenção pública no banco através de empréstimos e de aumento de capital. O banco recebeu ajudas do Estado em 1100 milhões de euros e ainda só recebeu 275 milhões. Uma parcela desse empréstimo, 125 milhões de euros, tem de ser liquidada até ao final do ano. Esta ajuda estatal está a ser alvo de uma investigação em Bruxelas.

Na sexta-feira passada, o banco confirmou a existência de um processo de venda da participação do Estado na instituição, de 60%. 

A TVI sabe que neste momento ainda decorrem negociações para a venda da participação. A gestão do Banif espera que pelo menos dois investidores apresentem propostas vinculativas.

Se não encontrar comprador até ao final da semana, o Governo prepara-se uma resolução no banco.
 
Nesse cenário, a proposta que está em cima da mesa passa por separar os ativos tóxicos dos saudáveis, tal como aconteceu com o BES, com a criação de um "banco bom" e um "banco mau". Só que neste caso, o Governo pondera a hipótese de integrar os ativos bons na Caixa Geral de Depósitos - algo que requer autorização europeia.

A decisão do Executivo apenas sofrerá uma reviravolta caso o banco consiga fechar negócio nos próximos dias.

Em comunicado, o Ministério das Finanças já reagiu a esta notícia, sublinhando que o Governo acompanha quer o processo de reestruturação do banco quer o processo de venda, garantindo "a plena proteção dos depositantes e a melhor proteção dos contribuintes".

"O plano de reestruturação do Banif, tal como é de conhecimento público, está a ser analisado pela DG Comp. Paralelamente, decorre um processo de venda do Banco nos mercados internacionais conduzido pelo seu Conselho de Administração. O Governo acompanha, como lhe compete, a evolução destes processos, garantindo a confiança no sistema financeiro, a plena proteção dos depositantes, as condições de financiamento da economia e a melhor proteção dos contribuintes."



Na última semana, o valor das ações do banco bateu mínimos históricos várias vezes, chegando a atingir apenas 0,0009 euros. 

O Banif tem uma presença muito forte na Madeira e também nos Açores, após a aquisição do Banco Comercial dos Açores, em 2008.

António Costa recebe esta segunda-feira o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, no Palácio de São Bento, em Lisboa. O caso deverá ser um dos temas na agenda.