O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou, nesta terça-feira, que chegou o momento de ir para a rua, mas recordou que "há sempre tempo" de conquistar a paz em vez do conflito.

Quando a via do diálogo conduz a resultado zero, então chega o momento de ir para a rua. E é isso que irá acontecer nos próximos dias", disse Carlos Silva, que sublinhou que a UGT "nunca teve receio das lutas", apesar de ter nas mesas de negociação o seu "palco preferido".

Por isso mesmo, o secretário-geral apelou ao Governo para que, em tempo útil, "consiga estabelecer compromissos" que possam satisfazer as pretensões dos trabalhadores.

Há sempre tempo de conquistar a paz em detrimento do conflito", defendeu Carlos Silva, que falava durante as comemorações da UGT do 1.º de Maio, que este ano decorrem em Figueiró dos Vinhos, um dos concelhos mais afetados pelo grande incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, e onde o líder da central sindical é presidente da Assembleia Municipal, eleito pelo PS.

Durante o discurso e perante um jardim municipal cheio de pessoas, Carlos Silva propôs um compromisso em Concertação Social para que a "chaga" da precariedade possa ser "combatida e erradicada gradualmente", voltou a defender um aumento do salário mínimo nacional para 615 euros em 2019 e a necessidade do aumento dos salários na Função Pública e o descongelamento das carreiras.

É tempo de o Governo ter um discurso mais virado para as pessoas. Já o teve, mas parece que estagnou", disse à agência Lusa Carlos Silva, considerando que é preciso "acordar o país" e "acordar o Governo" para os desafios que há pela frente.

Para o líder da central sindical, "até agora, a economia tem tomado conta do social", desafiando o Governo a "inverter essa tendência".

"Se não conseguir, que pelo menos ponha lado a lado a economia e as preocupações sociais", vincou.

A ouvir o discurso de Carlos Silva, no jardim municipal de Figueiró dos Vinhos, esteve mais de um milhar de pessoas, a maioria idosas.

Depois do discurso, a festa continuou com a animação garantida pelo cantor Toy.

IRC de 0% para fixar empresas no interior

Carlos Silva defendeu a redução do IRC à taxa de 0% durante um período inicial de três anos para garantir a atração de empresas para o interior.

Por que não atribuir uma taxa de IRC [Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas] de 0% durante um período de início de implantação das empresas", propôs Carlos Silva, que falava à agência Lusa à margem das comemorações da UGT do 1.º de Maio, em Figueiró dos Vinhos, distrito de Leiria.

Segundo o líder da UGT, a taxa seria depois aumentada gradualmente para outros níveis.

A proposta da redução do IRC teria como contrapartida a criação de empregos e a contratação ser feita sem termo.

Durante o discurso, Carlos Silva voltou a abordar a questão, considerando que devem ser criadas dinâmicas fiscais próprias para o interior do país, por forma a atrair investimento privado.

Falando para mais de um milhar de pessoas, em Figueiró dos Vinhos, o líder da central sindical chamou a atenção para a desertificação e envelhecimento que afetam de forma acentuada estes territórios, onde há "falta de investimento público e privado que fixe os jovens e atraia outros".

Viver no interior não é uma fatalidade, mas sim uma mais-valia para quem cá está, assim o Estado aposte na manutenção e melhoria dos serviços públicos, que não encerre escolas, que não encerre centros de saúde ou que não reduza os seus horários de funcionamento", frisou Carlos Silva.