A Comissão Europeia não tem dúvidas que os indicadores mais significativos estão a dar sinais de recuperação em Portugal, mas o problema continua a ser o mesmo: faltam mudanças estruturais. O que pode justificar uma previsão de défice menos otimista para 2018, porque a redução está a ser feita à custa do crescimento e não de medidas orçamentais. De resto, Bruxelas acha mesmo que Portugal vai falhar esta meta no ano que vem. O Governo já reagiu, destacando que as projeções de Bruxelas "são sempre muito prudentes" e o Presidente da República não prevê "problemas".

No documento, com as previsões de outono, a Comissão diz que “o PIB [Produto Interno Bruto] e o emprego devem aumentar significativamente em 2017, impulsionado pelas exportações e pelo investimento.”

Acrescentando que “apesar de algum abrandamento, espera-se que o desempenho económico permaneça forte em 2018 e 2019 impulsionado por um maior crescimento das exportações e menor desemprego.”

As previsões de outono da instituição apontam para uma taxa de desemprego que vai chegar aos 7,6% em 2019, e aos 8,3% em 2018, até menor que a estimativa do Governo, nos 8,6%.

O relatório fala de um PIB de 2,6%; 2,1% e 1,8% em 2107, 2018 e 2019, respetivamente. Previsões que encontram as do Governo este ano este ano, mas que são menos otimista que as do Executivo para 2018.

"Os riscos para a perspetiva continuam ligeiramente inclinados para a desvantagem, principalmente devido à vulnerabilidade a choques externos", faz questão de reforçar a instituição.

Mesmo em relação ao défice, a Comissão é agora mais otimista, qua nas previsões anteriores, mas continua mais conservadora que o Governo. E na previsão da Comissão Mário Centeno vai mesmo falhar a meta de défice a que se propôs no ano que vem.

O défice, de um modo geral, deve permanecer abaixo 1,5% em relação ao horizonte de previsão, enquanto o saldo estrutural deverá permanecer praticamente inalterado”, acrescenta a Bruxelas.

Para a Comissão é claro que "a melhoria do défice global é principalmente natureza cíclica e não acompanhada por medidas de consolidação orçamental discricionária, a espera-se que o saldo estrutural melhore apenas ligeiramente em 2017."

Prevê por isso que "os défices permanecem estáveis em 1,4% do PIB em 2018 devido ao impato negativo de operações únicas", quando o Executivo espera chegar a um défice de 1% em 2018.

Assumindo que não há outras medidas, o défice global deverá melhorar ligeiramente em 2019 para 1,2% enquanto o saldo estrutural é definido como permanecem amplamente inalterados:"

À incerteza em torno das perspetivas macroeconómicas, a Comissão junta ainda uma nota final relacionada com o impacto no défice das medidas de apoio ao setor bancário em 2017.

Após a dívida atingir 130,1% do PIB no final de 2016, a previsão é de queda para 126,4% em 2017, 124,1% em 2018 e 121,1% em 2019.

As previsões e alertas da Comissão vêm de encontro a outros que já tinham sido feitos esta semana pelo Conselho de Finanças Públicas.