A justiça belga propõe-se emitir uma ordem de detenção contra atuais e antigos dirigentes do banco britânico HSBC na Suíça, acusado em novembro na Bélgica de fraude fiscal organizada e outros delitos económicos.
 
O juiz de instrução encarregado do caso «está disposto a emitir mandados de detenção contra antigos e atuais dirigentes do HSBC, caso as autoridades suíças não cooperem», afirmou uma porta-voz da procuradoria federal da Bélgica citado pela agência Belga.
 
O juiz Michel Claise, especializado em criminalidade financeira, acusou formalmente em novembro o HSBC de «fraude fiscal grave e branqueamento» por ter «ajudado conscientemente» centenas de clientes a enganar o fisco.
O banco respondeu na altura assegurando-se disposto a «cooperar ao máximo» com a justiça, mas «isso não deu grande coisa», disse uma porta-voz da procuradoria, Ine Van Wymeersch.


«O juiz considera que está na altura de colaborar, caso contrário será obrigado a emitir mandados de detenção internacionais», disse.

Além disso, acrescentou, a justiça da Suíça ainda não respondeu ao pedido de cooperação judicial belga, quando «não convinha atrasar desse lado, para que o inquérito possa avançar».
 
A posição judicial belga foi conhecida no mesmo dia em que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação revelou uma lista de pessoas com contas na filial de Genebra do banco britânico, incluindo 3.000 clientes belgas que ocultaram ao fisco 6.200 milhões de dólares (cerca de 5.500 milhões de euros).
 
Os dados revelados pelo ICIJ, u m novo escândalo envolvendo o segredo bancário suíço, o «SwissLeaks», incluem os nomes de personalidades da política, negócios, espetáculo e desporto de dezenas de países suspeitos de terem recorrido ao HSBC para fugir ao fisco.